Austrália cria centro nacional para luta contra terrorismo digital

Austrália cria centro nacional para luta contra terrorismo digital

A Austrália anunciou hoje um investimento de 74 milhões de dólares australianos (45 milhões de euros), no próximo orçamento do Estado, para criar um centro destinado a combater o terrorismo e a radicalização na Internet.

Lusa /
Oliver Berg - EPA

A medida, que responde ao atentado na praia de Bondi em meados de dezembro contra a comunidade judaica, foi anunciada pelo ministro do Interior, Tony Burke, que explicou que o financiamento do novo centro nacional se estenderá por dois anos, e visa reforçar a capacidade das autoridades face à crescente radicalização nos ambientes digitais.

O novo centro integrará agentes dos serviços de inteligência, a Organização Australiana de Inteligência de Segurança, e da Polícia Federal Australiana, além de coordenar esforços com forças de segurança estaduais, territoriais e organismos internacionais, com o objetivo de detetar e neutralizar ameaças online.

De acordo com o plano, investigadores especializados em contraterrorismo e analistas de inteligência poderão monitorizar espaços digitais de alto risco, avaliar ameaças credíveis e coordenar ações para interromper atividades extremistas, incluindo operações secretas em plataformas e fóruns.

"A capacidade que sempre tivemos de monitorizar extremistas em salas de reunião estende-se agora aos `chats`", afirmou Burke, ao explicar o alcance da iniciativa.

O reforço das capacidades digitais visa melhorar a resposta das autoridades face a indivíduos e redes que promovem a violência ou procuram recrutar jovens vulneráveis através da Internet.

A medida faz parte da estratégia do Governo para intensificar a luta contra o extremismo, na sequência do ataque em Bondi, que aumentou a preocupação com a segurança interna e a influência de ideologias violentas no país.

A notícia foi divulgada no mesmo dia em que o Governo australiano confirmou que um grupo de 13 pessoas, incluindo mulheres e crianças, ligadas ao Estado Islâmico (EI) e com cidadania australiana, pretendem regressar à Austrália, embora sem detalhes sobre como ou quando ocorrerá o regresso.

Num comunicado, Burke assinalou que as autoridades não prestarão assistência ao grupo, composto por 13 pessoas, quatro mulheres e nove menores, alertando que as agências de segurança estão preparadas para essa eventual chegada e que "uma parte [das pessoas do grupo] será detida".

"Estas são pessoas que tomaram a terrível decisão de se juntarem a uma organização terrorista perigosa e de colocarem os seus filhos numa situação indescritível", afirmou Burke.

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