Austrália. Mais de 90 por cento dos corais analisados sofreram branqueamento

Os dados foram publicados pelo Parque Marinho da Grande Barreira de Coral na quinta-feira à noite. A temperatura mais alta da água ajuda a explicar o fenómeno que se estende por mais 2300 quilómetros. Grupos ambientais pedem ao poder político metas ambientais mais ambiciosas até 2030 para reverter o processo de branqueamento dos corais.

RTP /

É o sexto branqueamento de corais na Grande Barreira do Coral desde 1998. Para chegar a estes números, os cientistas do Parque Marinho estudaram 710 corais na ponta sul do coral, usando primordialmente helicópteros. Dos mais de 700 corais, perto de 660 tinham sinais de branqueamento.

Um mapa publicado no relatório que aponta esta realidade, explicou que os locais mais afetados por este fenómeno são aqueles que são mais visitados por turistas, estando severamente afetados.

Este foi um ano de fenómeno La Niña (evento frio) mas mesmo assim os corais voltaram a apresentar branqueamento. “O clima está a mudar, e o planeta e o coral estão 1,5 graus mais quentes do que há 150 anos. Por causa disso, o clima está a mudar. Eventos inesperados agora são esperados. Já nada me surpreende”, explicou David Wachenfeld, cientista chefe do Parque Marinho.

Lissa Schindler, uma das responsáveis da Sociedade Australiana de Conservação Marinha, afirmou que o relatório é “absolutamente devastador para todos os que gostam do Coral” e que é mais uma prova cabal de que é necessário cortar o uso de combustíveis fósseis nos próximos anos.

“Foi um ano de fenómeno La Niña, normalmente caracterizado por mais nuvens e mais chuva. Devia ter sido um alívio para o nosso coral, para ajudar a recuperá-lo, e mesmo assim o relatório mostra que mais de 90 por cento dos corais sofreram branqueamento”.

“Apesar de o branqueamento estar a tornar-se cada vez mais frequente, isto não é normal e não devemos aceitar que é assim que as coisas são. Precisamos de quebrar as normas que estão a estragar o nosso coral”, continuou Schindler.

Simon Bradshaw, diretor do Conselho Climático, avisou que o fenómeno não pode ser resolvido com “anúncios de financiamento pomposos”. “A ciência é muito clara: para salvar os corais do mundo da destruição total, temos de reduzir drasticamente emissões ainda nesta década”.

Como o Guardian explica, cientistas estão a começar a levantar preocupações com o branqueamento de corais durante o mês de dezembro, numa altura em que a temperatura da água é mais alta. O processo de branqueamento acontece quando o coral entra em stress devido a águas mais quentes.

O animal instalado no coral expele algas fotossintéticas, que providenciam comida ao coral, dando-lhe cor. O coral consegue sobreviver ao branqueamento e os investigadores da área querem perceber como isso acontece. Estudos mostram que este fenómeno pode levar a muitas lesões, quase letais, nos corais, deixando-os mais vulneráveis a doenças, travando o seu crescimento e limitando a sua capacidade para se reproduzirem.

Os resultados do relatório serão informados a uma missão das Nações Unidas que em março visitou a Grande Barreira de Coral para avaliar a saúde do coral. Os cientistas da UNESCO e União Internacional para a Conservação da Natureza foram informados dos resultados e na próxima semana haverá um relatório sobre as conclusões.

No ano passado, a UNESCO recomendou que a Grande Barreira de Coral entrasse numa lista de locais “em perigo”, devido ao impacto da crise climática e o progresso lento na melhoria da qualidade da água.
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