Autores presumíveis dos atentados do 11 de Setembro arriscam pena de morte
Washington, 05 abr (Lusa) -- Os cinco autores presumíveis dos ataques do 11 de Setembro, detidos em Guantánamo, são acusados de planear e executar os atentados de 2001 e arriscam a pena de morte, informou o Departamento de Defesa dos EUA.
Khaled Sheikh Mohammed, autor confesso dos ataques do 11 de Setembro, e quatro cúmplices são acusados de "planear e executar os ataques de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, Washington e Shanksville, que causaram a morte a 2.976 pessoas", refere uma nota do Departamento de Defesa norte-americano divulgada na quarta-feira.
Se os cinco acusados do 11 de Setembro, conhecidos como os "cinco de Guantánamo" -- Walid bin Attash e Mustafa al-Hawsawi da Arábia Saudita, Ramzi bin al-Shibh do Iémen e Ammar al-Baluchi do Paquistão, além de Khaled Sheikh Mohammed -- enfrentarem um julgamento em tribunal militar de exceção, criado pela administração de George W. Bush após os ataques, "poderão ser condenados à morte", acrescenta a nota.
Mais de uma década depois dos ataques, "é importante garantir que a justiça é feita", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, ressalvando que Barack Obama continua empenhado em cumprir a sua promessa de encerrar a prisão de Guantánamo.
Os "cinco de Guantánamo" deverão comparecer em tribunal nos próximos 30 dias para a leitura da acusação, informou o Pentágono, mas o julgamento poderá ainda demorar meses a arrancar devido à polémica instalada sobre onde e como aqueles deverão ser julgados.
O ex-assessor de Mohammed, Majid Khan, aceitou recentemente um acordo com as autoridades norte-americanas que o obrigará a depor contra outros alegados terroristas, o que poderá acelerar o julgamento.
Mais de uma década depois dos ataques terroristas, o autor confesso, de 46 anos, conhecido como "KSM", é a figura central de uma batalha legal travada por duas administrações americanas consecutivas.
Uma vitória no tão aguardado "julgamento do século" é relevante para Barack Obama neste ano de eleições presidenciais, em que enfrenta as críticas dos republicanos pela sua abordagem ao terrorismo.
O presidente americano queria que o julgamento de KSM e de quatro cúmplices tivesse lugar em Nova Iorque, perto da "zona zero", onde as torres gémeas colapsaram, mas os congressistas republicanos rejeitaram o plano, bloqueando a transferência dos alegados terroristas para os Estados Unidos.
A primeira confissão da autoria dos ataques por KSM surgiu depois de ter sido sujeito a 183 simulações de afogamento, técnica de interrogatório utilizada numa prisão secreta da CIA após a sua detenção em março de 2003.
KSM, natural do Paquistão, vivia legalmente nos Estados Unidos, onde estudou numa escola secundária, e já afirmou pretender morrer e tornar-se um mártir.