Autoridades alertam para risco de cheias nas bacias no centro de Moçambique
As autoridades moçambicanas alertaram hoje para o risco moderado de cheias nas bacias da região centro do país nas próximas 48 horas, o que poderá causar inundações urbanas na cidade de Quelimane, na província de Zambézia.
Em comunicado, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) avisa que, face às previsões meteorológicas e a situação hidrológica para as próximas 48 horas, as bacias hidrográficas do Rio Licungo, Namacurra, Raraga, Melola, Molócuè, Zambeze (sub-bacia de Licuare), e as bacias costeiras de Zambézia, no centro do país, poderão registar um aumento significativo do volume de escoamento podendo superar o nível de alerta, com impactos sobre a transitabilidade rodoviária e áreas agrícolas.
"Igualmente prevê-se risco moderado de ocorrência de inundações urbanas para a cidade de Quelimane", lê-se no documento, com previsões até terça-feira.
Entre as áreas que poderão ser afetadas, a DNGRH prevê inundações e condicionamento da transitabilidade nos distritos de Maganja da Costa, nos postos administrativos de Nante, Vila Valdez, Yassopa e Ntabo, e Namacurra, em Furquima, Mbawa, Muebele e Malei, naquela província.
Face à situação, as autoridades apelam à sociedade em geral para a observância de medidas de precaução que incluem evitar a travessia do leito dos rios acima mencionados, sensibilizar a população a tomar medidas de precaução face à ocorrência de inundações e acompanhar a informação emitida pelas entidades competentes.
O total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 215, com registo de mais de 856 mil afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita hoje pelo instituto de gestão de desastres.
De acordo com informação da base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), a que a Lusa teve acesso e atualizada às 09:18 de hoje (07:18 de Lisboa), foram afetadas um total de 856.845 pessoas, o correspondente a 198.053 famílias, havendo também 12 desaparecidos, além de 314 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram pelo menos 27 mortos e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, levou à morte de outras quatro pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.
Acrescenta-se que um total de 13.698 casas ficaram parcialmente destruídas na presente época das chuvas, além de 5.694 totalmente destruídas e outras 183.812 inundadas.
Um total de 246 unidades de saúde, 74 casas de culto e 635 escolas foram afetadas em pouco mais de quatro meses e meio.
Os dados do INGD indicam ainda que 554.603 hectares de áreas agrícolas foram afetadas neste período, 287.810 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.137 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 6.542 quilómetros de estrada, 35 pontes e 123 aquedutos.