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Autoridades de Teerão reconhecem ter processado plutónio em 1998

Autoridades de Teerão reconhecem ter processado plutónio em 1998

O Irão reconheceu ter processado plutónio, material usado para fabricar armas nucleares, em 1998, facto que as autoridades iranianas se recusaram sempre a admitir, diz um comunicado que será apresentado, quinta-feira, na AIEA, em Viena.

Agência LUSA /

O comunicado, a que a AFP teve acesso, é o resultado de um inquérito da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) que instou Teerão a especificar as datas das suas experiências de purificação do plutónio.

É a primeira vez que os responsáveis do programa nuclear iraniano admitem o processamento do plutónio numa data posterior a 1993. Até hoje, mantinham que as experiências nucleares tinham sido feitas até esse ano.

Para Pierre Goldschmidt, director-adjunto da AIEA que assina o comunicado, trata-se de uma mudança de atitude por parte de Teerão.

No entanto, os iranianos não mudaram o seu discurso em relação aos fins do seu programa nuclear que continuam a garantir serem unicamente civis.

às acusações norte-americanas de que pretende ter a bomba, o Irão contesta com o argumento de que está apenas a desenvolver meios para produzir energia eléctrica mais barata.

Só que o Irão é um dos principais produtores de petróleo do mundo e o plutónio processado ou o urânio enriquecido são os materiais usados na fusão nuclear.

Um diplomata próximo da AIEA disse à AFP que a agência "pretende saber se o Irão continua a processar plutónio" e "se diz a verdade". Para esta fonte, "se os iranianos mentiram, então a agência sabe que haverá consequências".

A AIEA abriu um inquérito sobre os programas iranianos em Fevereiro de 2003, depois de ter constatado que Teerão tinha dissimulado actividades nucleares sensíveis durante quase vinte anos.

O relatório de Goldschmidt examina diferentes aspectos que a agência pretende ainda conhecer melhor, como a origem das contaminações radioactivas e os planos de construção de centrifugadoras sofisticadas para enriquecer urânio.

O chefe da AIEA, Mohammed El Baradei, pediu ao Irão informações sobre este último ponto na passada terça-feira, mas fez saber que em relação à contaminação tinha havido progressos com a ajuda de "um Estado membro", o Paquistão.

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