Autoridades divulgam fotos de dois suspeitos dos atentados de Bombaim
As autoridades indianas divulgaram hoje as fotografias de dois suspeitos dos atentados de terça-feira em Bombaim que causaram 200 mortos e mais de 700 feridos.
O Esquadrão Antiterrorista do Governo não divulgou quaisquer detalhes sobre os suspeitos, além das fotografias e da sua identidade:
Sayyad Zabiuddin e Zulfeqar Fayyaz.
Segundo o Times of India, que cita fontes policiais, os investigadores suspeitam de que o cérebro dos atentados de Outubro do ano passado em Nova Deli, que causaram 61 mortos, poderá estar por trás das explosões de terça-feira.
Rahil, operacional do Lashkar-e-Toiba (LeT), e o seu principal colaborador, Imtiaz, além de Zaibuddin Ansari, são considerados, de acordo com o jornal, os principais suspeitos dos atentados de Bombaim.
Os serviços secretos que seguem a pista de Rahil há algum tempo localizaram-no pela última vez no Bangladesh, tal como Ansari, procurado por um roubo de explosivos em Aurangabad no passado mês de Maio.
A ligação dos três homens ao LeT e aos grupos muçulmanos separatistas do Estado indiano de Caxemira levam a polícia a suspeitar que possam ter planeado o atentado em equipa.
Além disso, a relação de Ansari com o Movimento dos Estudantes Islâmicos da Índia (SIMI) faz com que as autoridades suspeitem de uma acção conjunta entre o LeT e o SIMI.
Entretanto, a polícia nepalesa deteve hoje quatro paquistaneses em Katmandu por posse de potentes explosivos.
Dois deles foram detidos no Hotel Evereste e os outros em Thamel, um bairro turístico da capital nepalesa.
De acordo com o chefe da polícia local, Dhak Bahadur Karki, os dois detidos no hotel Evereste eram procurados há cinco anos por posse de explosivos, quando a polícia encontrou 16 quilogramas de RDX no apartamento de um deles em Katmandu.
Na altura, ambos conseguiram fugir, mas no sábado regressaram à capital nepalesa.
Mais tarde um outro oficial da polícia confirmou a detenção de outros dois paquistaneses em Thamel, mas sem adiantar pormenores, noticiou a France Press.
A televisão privada nepalesa, Nepal 1, deu conta que os quatro detidos eram suspeitos de ter participado nos atentados de Bombaim, mas Dhak Bahadur Karki desmentiu a notícia, dizendo que nenhuma ligação tinha sido estabelecida.
"É muito cedo para os relacionar com as explosões de Bombaim.
A investigação está a decorrer", disse.
As autoridades indianas tinham admitido hoje que estavam a investigar a formação de um alegado grupo ligado à Al-Qaida em Caxemira e a interrogar centenas de pessoas sobre os atentados de terça-feira em Bombaim.
A referência à organização terrorista de Usama bin Laden foi feita num telefonema para a agência Current News, em Srinagar, em que um indivíduo que se identificou como porta-voz do grupo Al-Qaida Jamu e Caxemira, até agora desconhecido, se congratulou com os atentados em Bombaim.
"O emir da Al-Qaida Jamu e Caxemira, Abu Abdul Rehman Ansari, está reconhecido àqueles que participaram nas explosões de Bombaim e exprimiu a sua felicidade", declarou à agência indiana.
A autenticidade do telefonema ainda não foi confirmada, mas um responsável dos serviços secretos em Caxemira, que pediu o anonimato, admitiu que "o Governo está a levar muito a sério" a informação.
O autor do telefonema, que se identificou com o nome de Abu al- Hadeed, afirmou ser porta-voz da Al-Qaida Jamu e Caxemira e disse que o grupo foi criado hoje formalmente.
O emir Ansari "disse que as explosões eram consequência da opressão indiana e da repressão das minorias, em particular muçulmanas", e apelou aos muçulmanos da Índia para "adoptarem a via da jihad [guerra santa] para a liberdade e o Islão", declarou o alegado porta-voz, segundo a agência noticiosa de Caxemira.
O autor do telefonema acrescentou que o novo grupo vai fazer uma lista de objectivos nos próximos dias.