Autoridades espanholas vigiavam desde 2003 andares usados para planear atentados
A polícia espanhola vigiava, desde Janeiro de 2003, três dos andares usados para preparar os atentados de 11 de Março, de acordo com um sumário de um juiz de investigação citado hoje pelo El Mundo.
Segundo o sumário de instrução do juiz Juan del Olmo, os andares - onde residiam os suspeitos Muhannad Almallah e Serhane ben Abdelmajid Fakhet e onde se reuniam - estavam a ser vigiados desde 17 de Janeiro de 2003 por agentes da Brigada Provincial de Informação de Madrid.
Agentes policiais envolvidos nas operações e citados no documento referem que as investigações estavam a ser feitas no quadro de "suspeitas da existência de um grupo radical islâmico dedicado ao apoio logístico de presumíveis membros de organizações radicais islâmicas", acrescenta.
"No dia 17 de Janeiro de 2003 chegou informação, por meio de canais próprios, de possíveis actividades desta índole que poderiam estar a ser levadas a cabo por Muhannad Almallah", refere a declaração policial enviada ao juiz.
Investigações preliminares confirmaram a utilização dos andares para os encontros, tendo sido desencadeada de imediato uma "operação de vigilância" nos três andares, os dois onde residiam os suspeitos e o terceiro que servia de ponto de encontro da célula que acabaria por ser responsável pelo atentado.
Além de identificarem detalhadamente os participantes nos encontros, a polícia registou ainda dados precisos sobre veículos e "as elevadas medidas de segurança" do grupo na forma como circulava.
Os três andares ainda estavam a ser vigiados um mês antes dos atentados de 11 de Março de 2004, que causaram 191 mortos e mais de 1.500 feridos.