Autoridades francesas travam alegado plano para novo atentado

Uma operação de contraterrorismo desencadeada durante o fim de semana em Estrasburgo, no leste de França, e Marselha, a sul, permitiu identificar sete suspeitos com nacionalidades francesa, marroquina e afegã. Foi assim impedido um “novo atentado”, revelou esta segunda-feira o ministro francês do Interior.

Andreia Martins - RTP /
Um militar francês a patrulhar a zona da Torre Eiffel, em Paris Gonzalo Fuentes - Reuters

Foi o culminar de uma investigação "com mais de oito meses". Os detidos têm entre 29 e 37 anos e foram interpelados este fim de semana, na noite de sábado para domingo, como esclarece Bernard Cazeneuve, ministro francês do Interior.

Dos sete homens, seis eram totalmente desconhecidos dos serviços secretos, estando os marroquinos detidos "assinalados por um país parceiro", acrescenta o governante. A agência France Presse refere que quatro destas detenções já tinham sido anunciadas no domingo.

As detenções terão permitido evitar "um ataque terrorista planeado há muito" para o território francês, disse Cazeneuve numa conferência de imprensa transmitida esta segunda-feira pela televisão.

Com os sete suspeitos identificados, a investigação tentará a partir de agora descobrir qual era o papel de cada um dos detidos no presumível ataque e se o "novo atentado" aconteceria de forma "coordenada para atingir simultaneamente vários locais do território".

O ministro refere ainda que os sete detidos durante o fim de semana estão ligados à mesma rede terrorista de outros cinco suspeitos, dois deles detidos no passado dia 14 de junho, dias após o início do Campeonato Europeu de futebol, em França.

Dois foram detidos em Marselha, mas a maioria foi identificada na cidade de Estrasburgo, que acolhe a partir da próxima sexta-feira um dos maiores mercados de Natal da Europa. A agência Reuters refere, no entanto, que o ataque evitado visava "a região de Paris", segundo referiu o presidente da Câmara de Estrasburgo.
Estado de emergência até às eleições
A operação agora desencadeada eleva para 418 o número de detenções de indivíduos ligados a redes terroristas, só em 2016. Desde o início de setembro, contam-se 143 detenções em operações de contraterrorismo. Pelo menos 52 pessoas ficaram presas e 21 estão sob controlo judicial.

Na conferência de imprensa desta manhã, Bernard Cazeneuve destacou ainda que só no mês de novembro deste ano foram interpeladas 42 pessoas no contexto de operações de combate ao terrorismo.

De recordar que França tem vindo a expandir o estado de emergência desde novembro de 2015, altura dos ataques terroristas em Paris, que fizeram mais de 130 mortos.

O estado de emergência foi estendido por várias ocasiões, de forma a cobrir grande eventos desportivos realizados em território francês, bem como na resposta ao atentado de Nice, no dia 14 de julho, que provocou mais de 80 mortos.

Nos últimos dias, o Presidente francês François Hollande e o primeiro-ministro Manuel Valls revelaram que o Governo deverá pedir um novo prolongamento do estado de emergência (que termina em janeiro) até maio de 2017, mês das eleições presidenciais francesas.

"A cada dia, a cada semana, redes de grupos extremistas são desmanteladas. Pessoas são presas. Ataques têm sido evitados", disse o primeiro-ministro.
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