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Autoridades moçambicanas pedem retirada das populações devido a ciclone no sul

Autoridades moçambicanas pedem retirada das populações devido a ciclone no sul

As autoridades moçambicanas apelaram hoje à retirada preventiva das populações das zonas costeiras das províncias de Inhambane, Gaza, no sul, e Sofala, no centro, face à aproximação da tempestade tropical severa Gezani, e previsão de evolução para ciclone.

Lusa /

"Apelo a todos para que sejamos atentos às províncias de Inhambane, todos os distritos costeiros, parte da província de Gaza(...), também a sul da província de Sofala, para prestarem atenção à vinda deste ciclone", disse aos jornalistas a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, em Inhambane.

A responsável instou igualmente as instituições públicas e privadas a reforçarem medidas de prevenção, com destaque para hospitais, centros de saúde, bancos e centros comerciais, sublinhando a necessidade de proteger infraestruturas críticas e doentes internados.

"Estamos também a incentivar as famílias para levarem consigo os seus medicamentos, a sua documentação e também terem uma garrafa de água", afirmou, acrescentando que as equipas estão a visitar centros que poderão funcionar como locais de acomodação temporária.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano alertou hoje para a possibilidade de a tempestade tropical severa Gezani, já no canal de Moçambique, evoluir para ciclone tropical e entrar na sexta-feira no país, através da província de Inhambane.

"A tempestade tropical moderada Gezani evoluiu para tempestade tropical severa no canal de Moçambique. Este sistema continua movendo-se em direção à costa da província de Inhambane, com vento médio de 100 quilómetros por hora e rajadas até 150 quilómetros por hora", lê-se num aviso do Inam.

De acordo com o documento, as projeções atuais indicam que o sistema tropical deverá evoluir para ciclone tropical, com vento médio de 140 quilómetros por hora, rajada máxima até 240 quilómetros por hora, até sexta-feira.

"Durante a ocorrência do ciclone, as pessoas têm que estar todas no local seguro que já foi identificado e evitarem a circulação, evitarem estar debaixo das árvores", reforçou ainda Luísa Meque, apelando à proteção de crianças, idosos e pessoas vulneráveis.

Questionada sobre a resistência de algumas comunidades em abandonar as suas casas por receio de perda de bens, nomeadamente em assaltos, a presidente do INGD reconheceu tratar-se de uma situação "complicada", mas garantiu que estão a ser mobilizados mecanismos de segurança para proteger as áreas evacuadas.

Pelo menos 36 pessoas morreram em Madagáscar durante a passagem do ciclone Gezani, que atingiu com força na terça-feira à noite a segunda maior cidade do país, Toamasina, segundo um novo balanço das autoridades malgaxes.

O ciclone baixou de nível, para tempestade tropical, ao chegar a terra, mas segundo as autoridades moçambicanas deverá aumentar de intensidade nas próximas horas.

De acordo com o Inam, o Gezani poderá causar chuvas acima de 200 milímetros, acompanhadas de trovoadas e ventos fortes, em Inhambane, sul do país, principalmente nos distritos de Govuro, Inhassoro, Vilankulo, Massinga, Morrumbene, Homoíne, Panda, Inharrime, Jangamo, Zavala, cidade de Maxixe, além da capital provincial.

Preveem-se ainda chuvas entre 50 e 100 milímetros, acompanhadas de trovoadas e ventos fortes, para as províncias de Sofala (Centro), principalmente nos distritos de Machanga, Búzi, Nhamatanda e cidades de Dondo e Beira, Gaza (sul), nos distritos de Mandlakazi, Chongoene, Chibuto e Chigubo, sendo ainda afetados os distritos de Mabote e Funhalouro, em Inhambane, segundo o Inam.

Face aos riscos associados à passagem do fenómeno, as autoridades moçambicanas recomendam a tomada de medidas de precaução e segurança face aos ventos, chuvas fortes e trovoadas.

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