Autoridades nigerianas confirmam, 40.000 aves mortas com doença

O foco da gripe das aves detectado na Nigéria, o primeiro no continente africano, provocou a morte a 40.000 aves infectadas com o vírus H5N1, numa quinta no norte da Nigéria, informaram hoje as autoridades nigerianas.

Agência LUSA /

O ministro da Agricultura nigeriano, Adamu Bello, confirmou, em declarações aos jornalistas, que a gripe das aves foi detectada em amostras retiradas a 16 de Janeiro de uma quinta da aldeia de Jaji, na província de Kaduna, norte do país.

O governo confirma assim a informação veiculada hoje pela Organização Internacional da Saúde Animal (OIE), segundo a qual foi detectado o vírus H5N1 da gripe das aves, "altamente patogénico".

"Trata-se do primeiro foco do vírus H5N1 no continente africano", afirmou a porta-voz da organização, Maria Zampaglione.

As autoridades nigerianas decidiram abater as aves imediatamente, colocar a zona em quarentena e aumentar o controlo de transporte de animais no país, acrescentou a organização.

De acordo com a OIE, que cita as autoridades nigerianas, o proprietário da quinta tratava as aves com antibióticos de largo espectro antes de ter sido detectado o vírus, que, de um total de 46.000 animais, 42.000 foram infectados, dos quais 40.000 morreram. "A importância desta situação é tratar-se de casos novos num continente e precisamos estar atentos", afirmou um perito da OIE, Alex Thiermann.

Os especialistas têm manifestado o receio de registo de casos em África, dado que a muitos países do continente têm sistemas veterinários "muito fracos", afirmou o responsável, que no entanto, elogiou a acção das autoridades nigerianas, depois de confirmado o foco da doença.

Os peritos temem que o vírus, que além de aves já matou humanos na Ásia e na Europa, possam sofrer mutações e transmitir-se entre humanos, o que poderia provocar uma epidemia mundial. A OIE afirmou que está a trabalhar em conjunto com o fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e até ao final desta semana será enviada para a Nigéria, adiantou Thiermann.

Segundo o chefe dos serviços veterinários da FAO, Joseph Domenech, afirmou que a descoberta deste primeiro foco em África "não é uma surpresa", tendo a agência da ONU advertido várias vezes que este continente era considerado "uma região de risco".

O responsável acrescentou, que neste momento ainda não é possível determinar se a contaminação se deu através de aves selvagens (migratórias) ou de outras formas", como através do transporte de animais.

As autoridades nigerianas acrescentaram que foram realizados testes em aves na província de Kano, vizinha do local onde foi detectado o foco, mas os resultados das análises para despistar o H5N1 deram negativo.

Nesta província, morreram 60.000 aves nas últimas semanas e os testes continuam, segundo as mesmas fontes.

Entretanto, o Ministério da Agricultura sul-africano anunciou já que vai proibir a importação de aves oriundas da Nigéria, mas não pretende reforçar as medidas de protecção, dado a distância entre os dois países.

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