Autoridades recuam e apenas confirmam três mortos em desabamento de prédios
Rio de Janeiro, 26 jan (Lusa) - As autoridades do Rio de Janeiro recuaram no número de mortos, em resultado do desabamento na quarta-feira de três edifícios no centro da cidade, e apenas confirmam três vítimas mortais.
Segundo o subsecretário da Defesa Civil, Márcio Mota, cinco corpos foram localizados, dos quais três foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) enquanto outras duas pessoas ainda estão a ser retiradas dos escombros.
O Corpo de Bombeiros, no entanto, ainda não confirma a localização das duas últimas pessoas, nem tão-pouco se estão vivas. Depois de terem anunciado a existência de cinco mortos, as autoridades reviram para três o número de vítimas fatais da tragédia.
Familiares das vítimas do desabamento de três edifícios, ocorrido na quarta-feira à noite no centro do Rio de Janeiro, estão a ser transportados para o IML para o reconhecimento dos primeiros corpos encontrados.
Funcionários da assistência social estão a prestar apoio psicológico aos familiares, que são orientados para não falar com a imprensa.
Na Avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro da cidade, os adornos já colocados para os festejos do carnaval, contrastam com o sentimento de tristeza e incredulidade das pessoas que passam pela área, todos ainda muito assustados.
Pelas ruas, os relatos são de preocupação e temor de que outras estruturas venham a desabar.
Os três prédios que caíram na quarta-feira à noite estavam localizados no centro comercial e financeiro da cidade, onde milhares de pessoas trabalham diariamente.
"É difícil porque a gente via o prédio todo dia, passamos aqui toda hora. No meu escritório, está todo mundo preocupado", disse uma advogada a caminho do trabalho.
Ao lado da fita de isolamento, um casal de argentinos tentava convencer os polícias a autorizá-los a entrar no prédio onde vivem - localizado em frente a um dos que caiu - para buscar seus pertences.
"A prima da minha esposa está na nossa casa de visita e pretendia ir embora hoje. Agora não sabemos como vai ser, porque o passaporte e as coisas dela estão lá. Já fomos pedir auxílio no consulado argentino e devemos passar a noite num hostal", afirmou à Lusa o gerente de restaurante Iván Galarze.
Sua esposa, a argentina Débora Marconi, a cinco meses a viver no Rio de Janeiro, dizia que não pretende voltar a morar no edifício.
"Ouvimos um barulho e ainda deu para ver o edifício tombando pela janela. A sensação era do prédio caindo em cima da gente. Saímos correndo e agora não sabemos quando vamos poder voltar a entrar. Não quero continuar a viver ali", afirmou Débora Marconi.
Muitos outros ainda calculam os prejuízos causados pela perda de bens e documentos que estavam nas salas comerciais que ruíram.
Pequenos empresários manifestavam interesse em tentar reaver alguma mercadoria e buscavam informações sobre para onde estavam a ser levados os escombros.
"Para eles [bombeiros] são entulhos que não servem para nada, mas para mim pode ser que eu encontre algum documento de algum cliente", afirmou um deles, que não se identificou.
Os bombeiros continuam a trabalhar no local, onde ainda se acredita que possam estar 15 pessoas soterradas.