Autoridades religiosas preparam comité de luta contra a feitiçaria
O fenómeno da feitiçaria em Angola atingiu uma dimensão que preocupa as autoridades religiosas, pelo que está a ser preparado o lançamento de um Comité de Luta tendo em vista "evitar que o flagelo alastre".
"A feitiçaria existe, mas vamos tentar que o fenómeno não tenha um impacto muito grande junto das populações", afirmou hoje o reverendo Janito Augusto Francisco, da Igreja Protestante Renovada.
O reverendo, que coordena a comissão instaladora do futuro Comité de Luta contra a Feitiçaria, recordou a existência de casos em que o feitiço "atormenta as pessoas ao ponto de as levar à morte".
"O feitiço é um mal produzido pelo homem, que devasta a sociedade", frisou Janito Francisco, que falava aos jornalistas à margem de uma reunião daquela comissão instaladora, realizada em Luanda. Segundo o reverendo, a intenção dos promotores do Comité de Luta contra a Feitiçaria é "combater este mal por vias pacíficas", o que pode passar pelo "aconselhamento dos alegados bruxos para que destruam os seus feitiços".
Janito Francisco admitiu que "não existem estimativas concretas sobre a dimensão do fenómeno" da feitiçaria em Angola, mas frisou que "existem muitos falsos médicos tradicionais, profetas e pastores de igrejas que é urgente combater".
O reverendo da Igreja Protestante Renovada escusou-se a especificar as regiões de Angola onde a feitiçaria atinge dimensões mais preocupantes, admitindo, no entanto, que "as crianças e os idosos são os mais apontados pelas populações como feiticeiros".
Nos órgãos de comunicação social angolanos são frequentes as notícias de pessoas, especialmente crianças, que são mortas por populares, muitas vezes familiares, depois de terem sido acusadas de feitiçaria.
As províncias de Cabinda, Uíge e Zaire, todas no norte de Angola, são aquelas onde este tipo de situações ocorre com mais frequência, mas o problema estende-se a todo o território do país.
Há cerca de um ano, um antigo governador provincial do Cuando Cubango, no leste de Angola, foi condenado a uma pena de prisão por ter ordenado a morte de um grupo de homens que eram acusados pela população de serem feiticeiros.
A presidência do Comité de Luta contra a Feitiçaria, ainda em fase de instalação, vai ser disputada, entre outros candidatos, pela antiga directora do Instituto de Assuntos Religiosos, Fátima Veiga, e pelo bispo católico Anastácio Cahango.