Autoridades tinham reconhecido deficiências na ponte que caiu sobre o Mississipi

A ponte que desabou quarta-feira sobre o Rio Mississipi, provocando quatro mortos e cerca de 30 desaparecidos, foi considerada "estruturalmente deficiente" há dois anos, reconheceram as autoridades.

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Segundo um relatório divulgado em 2005, mais de 27 por cento das 600 mil pontes do país eram potencialmente perigosas EPA

As equipas de salvamento encontraram hoje "vários corpos" de pessoas que ficaram presas entre os automóveis destruídos e a ponte, revelou numa conferência de imprensa o chefe da Policía, Tim Dolan.

No total, 79 pessoas foram assistidas nos hospitais locais, das quais 55 em ambulâncias, e, segundo a Guarda Costeira, 30 a 50 veículos permanecem na água.

Desconhece-se ainda a causa do colapso da ponte, que ocorreu em plena hora de ponta da saída da cidade de Minneapolis, embora o Departamento de Segurança Nacional tenha dito que não há indícios de que se tenha tratado de um atentado terrorista.

Existem, no entanto, sinais de defeitos na estrutura já que, em 2001, o Departamento de Transportes do Minnesota tinha detectado "vários problemas de fadiga".

Em 2005, numa escala de 120 pontos para medir a sua segurança, a ponte obteve apenas 50, pelo que foi colocada na categoria "estruturalmente deficiente".

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, "isto não significa que apresentava risco de colapso mas se uma inspecção identifica deficiências, o estado (do Minnesota) é responsável por tomar as medidas correctivas" pertinentes.

De acordo com Tim Pawlenty, governador do Estado do Minnesota entre 70.000 e 80.000 pontes nos Estados Unidos receberam a mesma classificação.

As autoridades acreditam que não vão encontrar ninguém com vida entre os destroços.

Dado que não se espera encontrar sobreviventes, as operações abrandaram para garantir a segurança do pessoal das equipas de resgaste devido à instabilidade dos restos da ponte e das partes submersas.

A queda da ponte voltou a suscitar dúvidas sobre o estado das infra-estruturas nos EUA.

Barragens deficientes, redes eléctricas à beira de um "apagão", águas poluídas, estradas e pontes perigosas: a Agência norte-americana de Engenharia Civil estima em 1,6 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) o investimento necessário para que as estruturas estejam em conformidade com as normas de segurança.

Segundo um relatório divulgado em 2005, mais de 27 por cento das 600 mil pontes do país eram potencialmente perigosas.

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