Avião de Caça norte-coreano despenhou-se na China
Um avião a jacto que se pensa ser um caça da força aérea norte-coreana despenhou-se sobre uma casa no nordeste de China, provocando a morte do piloto. Pequim diz que está a investigar o incidente, ocorrido na província de Liaoning, perto da fronteira com a Coreia do Norte. Fontes da espionagem sul-coreana especulam que o malogrado piloto estaria a tentar fugir para a Rússia.
Um habitante da aldeia de Ersonggou, a 5 quilómetros do local do acidente, disse que ele e muitos outros residentes viram o avião a voar baixo sobre a área, antes de se despenhar num pomar:
"O motor estava a fazer um barulho muito estranho e ele estava a voar de uma forma muito esquisita, com a parte da frente a apontar para cima e a parte traseira a apontar para baixo", disse a testemunha que se identificou como Ning. "Parecia uma peça de sucata a sulcar o céu", rematou.
A agência oficial de notícias da China, Xinhua, admitiu que o avião "pode ser" da Coreia do Norte e confirmou a morte do piloto e a destruição de uma habitação, dizendo também que mais ninguém ficou ferido. A Xinhua acrescentou ainda que as autoridades de Pequim estão manter contactos com Pyongyang acerca do incidente.
Fotografias, alegadamente tiradas por testemunhas, circulam em páginas da internet na China. As imagens mostram o emblema da força aérea norte-coreana na fuselagem junto à cauda do avião.
Mar de especulações
Entusiastas da aviação militar identificaram o aparelho como um MIG de fabrico russo, mas dividem-se quanto ao modelo específico. Segundo alguns trata-se de um caça MIG-21, enquanto outros defendem tratar-se de um avião de treino MIG-15.
A agência de notícias sul-coreana, Yonhap, cita fontes não identificadas dos serviços secretos da Coreia do Sul, que acreditam que o piloto estaria a tentar fugir da Coreia do Norte com destino à Rússia, mas que se terá perdido na rota, acabando por se despenhar na China.
Segundo a Yonhap, Pequim tem um acordo de repatriação com a Coreia do Norte, o que poderia explicar a razão de o piloto estar a tentar escapar para território russo.
Por seu lado fontes chinesas especulam que o avião se terá despenhado por se ter acabado o combustível.
Uma reportagem publicada no jornal de Hong Kong, Ming Pao, dá conta de que um segundo piloto se teria conseguido ejectar antes da queda do aparelho, mas não fornece pormenores acerca do paradeiro do mesmo. Esta versão entra em conflito com a dos sul-coreanos que apenas menciona um ocupante a bordo do MIG.
As deserções de cidadãos e militares norte-coreanos não são caso raro mas, a confirmar-se, esta seria uma fonte de embaraço para Pyongyang, por ter sido efectuada num avião militar.
As autoridades chinesas mantêm-se discretas quanto ao sucedido. Um responsável dos negócios estrangeiros da província de Liaoning recusou-se a comentar o caso, enquanto que o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês em Pequim remeteu os jornalistas para as informações anteriormente divulgadas pela agência Xinhua.