Avião que se despenhou na China levava 132 pessoas a bordo - novo balanço

O avião da China Eastern Airlines que se despenhou hoje quando viajava entre as cidades chinesas de Kunming (sudoeste) e Cantão levava 132 pessoas a bordo, e não 133 como inicialmente noticiado pela televisão estatal chinesa CCTV.

Lusa /

O Boeing-737 caiu perto da cidade de Wuzhou, na região de Guangxi (sul), e "causou um incêndio" nas montanhas, informou a CCTV, acrescentando que as equipas de resgate foram enviadas para o local.

Ainda não foi divulgado qualquer balanço daquele que poderá ser o acidente de aviação com mais vítimas no país desde 1994, mas o Presidente, Xi Jinping, já reagiu, o que é invulgar num dirigente chinês.

Num comunicado, a companhia aérea China Eastern Airlines "prestou homenagem aos mortos" na queda do avião.

Segundo o `site` especializado FlightRadar24, o aparelho perdeu em três minutos cerca de 8.000 metros de altitude, antes de desaparecer do radar após as 14:22 locais (06:22 em Lisboa).

O voo MU5735 da companhia de Xangai tinha descolado pouco depois das 13:00 locais (05:00 em Lisboa) da cidade de Kunming, no sudoeste da China, e tinha como destino Cantão, no sul, a cerca de 1.300 quilómetros.

O 737-800, que transportava 123 passageiros e nove tripulantes, "perdeu o contacto sobre a cidade de Wuzhou", na região montanhosa de Guangxi, indicou a Agência Chinesa da Aviação Civil (CAAC).

O embate do avião "provocou um incêndio" na montanha, noticiou a televisão pública chinesa CCTV, que transmitiu imagens dos bombeiros a dirigir-se para o local do acidente através de uma zona montanhosa e arborizada, juntamente com a informação de que as chamas foram apagadas.

"Todos os habitantes tomaram a iniciativa de ajudar as equipas de socorro. Toda a gente foi para a montanha", relatou, Tang Min, proprietária de um estabelecimento comercial situado a cerca de quatro quilómetros do local do impacto, citada pela agência noticiosa francesa AFP.

O Presidente chinês declarou-se "em choque" e apelou para que "sejam determinadas o mais rapidamente possível as causas do acidente", noticiou a agência Nova China.

A partir dos Estados Unidos, a Boeing indicou estar a esforçar-se "por reunir mais informações".

De acordo com o grupo de informação financeira Yicai, a China Eastern Airlines, a segunda maior companhia do país, decidiu não esperar pelos resultados da investigação e suspender todos os seus aparelhos 737-800 a partir de terça-feira.

Os acidentes de aviação são relativamente raros na China, um país onde o tráfego aéreo se desenvolveu consideravelmente nas últimas décadas e onde as medidas de segurança são geralmente rigorosas.

O último grande acidente no país ocorreu em agosto de 2010, quando um voo da companhia chinesa Henan Airlines se despenhou no nordeste do país fazendo 40 mortos.

O maior número de vítimas num voo comercial data de 1994, quando um Tupolev 154 da China Northwest Airlines se despenhou pouco depois da descolagem de Xi`an, no norte do país, matando as 160 pessoas a bordo.

Muitos passageiros chineses morreram também em março de 2014, aquando do enigmático desaparecimento do voo MH370 da Malaysian Airlines, com destino a Pequim.

O acidente aéreo de hoje é mais um duro golpe para a empresa Boeing na China.

Em março de 2019, o país foi o primeiro do mundo a ordenar às suas companhias para suspenderem os voos dos aparelhos 737 MAX, por razões de segurança.

O anúncio surgiu na sequência de dois acidentes em poucos meses no estrangeiro, que fizeram 346 mortos.

Quase três anos após esses reveses, o regulador chinês levantou finalmente em dezembro passado a sua interdição de voo ao Boeing 737 MAX, ignorando-se se esses aparelhos já retomaram os voos comerciais na China.

A decisão era muito aguardada pela Boeing, para a qual a China é um importante mercado.

O regulador condicionou o regresso do 737 MAX ao espaço aéreo chinês a modificações técnicas nos aviões, a fim de garantir a segurança dos voos.

A China foi o último grande país a levantar a interdição de voo a este aparelho da Boeing.

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