Bacalhau e anchovas vítimas de captura excessiva no Oceano Atlântico
Vítimas da pesca excessiva, o bacalhau e a anchova encontram-se entre as espécies ameaçadas de extinção no Oceano Atlântico, pelo que os cientistas recomendam que a sua captura seja suspensa.
De acordo com o Ifremer (Instituto Francês de Investigação para a Explo ração do Mar) que estuda os recursos do Atlântico, as avaliações realizadas nest es últimos anos sobrestimaram frequentemente as existências.
A Comissão Europeia, que inicia terça-feira as suas negociações com os Estados-Membros sobre a fixação das quotas e número de dias autorizados para a p esca - deseja incluir a proibição de capturar a anchova pelo menos nos primeiros seis meses de 2007, de acordo com as recomendações do Conselho Internacional pa ra a Exploração dos Mares (CIEM).
A retoma da pesca às anchovas poderá "ser equacionada em Maio-Junho de 2007", se as campanhas científicas da Primavera, que visam contar os ovos, fizer em prever um bom ano, indica o CIEM no último relatório aos governos europeus, p ublicado ao meados de Outubro.
Segundo a mesma entidade, o aumento da quota de pesca de 30 mil para 34 mil toneladas por ano de 1979 para 2004 foi demasiado, tanto mais que a capacid ade de reprodução da anchova tem vindo a enfraquecer, tendo sido praticamente nu la em 2004.
A situação é igualmente crítica para o bacalhau do Atlântico, que const a da lista das espécies ameaçadas estabelecida pela União Internacional para a C onservação da Natureza (UICN).
Face a estas situações, a Comissão Europeia prepara-se para impor uma r edução de um quarto nas capturas e nos dias de pesca autorizados.
Porém, o CIEM considera a medida insuficiente e defende que "nenhuma ca ptura deveria ter lugar em 2007 e 2008, para permitir uma reconstituição das exi stências" a um nível duradouro, uma vez que 95 por cento dos animais estão a ser capturados antes de poderem reproduzir-se uma primeira vez.
Os cientistas lamentam que as recomendações de suspender a captura não tenham sido incluídas pela UE no seu plano de recuperação dos recursos haliêutic os, aprovado pelo Conselho de Ministros em 2004, e sublinham que as capturas rea is são superiores ao permitido, o que torna as quotas inoperantes.
Os especialistas temem também que esta situação atinja o colapso, daí d erivando consequências como as verificadas na Terra Nova no início dos anos 1990 , quando milhares de pescadores ficaram no desemprego.