Bactérias cada vez mais resistentes a desinfetantes hospitalares

Os hospitais vão precisar de encontrar novas estratégias para combater bactérias, alertou uma nova investigação. Os desinfetantes à base de álcool são utilizados como método de controlo de infeções. No entanto, um tipo de superbactéria hospitalar está a tornar-se cada vez mais resistente aos produtos de higienização.

RTP /
Mariana Bazo - Reuters

Segundo a publicação da revista Science Translational Medicine, as superbactérias, conhecidas como Enterococcus Resistentes à Vancomicina (VRE, sigla em inglês), estão a tornar-se cada vez mais resistentes ao álcool, embora nos últimos anos tenha existido uma queda nas taxas de infeções hospitalares.

"Este é um alerta para as equipas de controlo de infeção hospitalares de todo o mundo”, avisou Stinear.
“Se querem controlar o surgimento do VRE, será necessário fazer mais do que confiar nos desinfetantes à base de álcool", disse Timothy Stinear, um dos autores da investigação da Universidade de Melbourne.

“Se existem estas bactérias [tolerantes ao álcool] nos hospitais, mesmo que exista um regime de limpeza dos assentos dos vasos sanitários com um desinfetante de álcool, as bactérias não vão parar de se espalharem para os pacientes”, acrescentou.

Umas das principais infeções adquiridas nos hospitais provem da espécie Enterococcus faecium, cujas contaminações têm sido recorrentes.

As infeções por VRE podem ser mortais. "O problema com o VRE é que pode invadir o intestino e depois entrar na corrente sanguínea dos pacientes e causar sépsis e infeção da corrente sanguínea”, salientou Stinear.
Bactérias resistentes a antibióticos

Segundo a investigação, as pessoas que recebem quimioterapia, transplantes de órgãos ou que se submetem à diálise encontram-se em risco. Além disso, o VRE pode alojar-se É muito difícil exterminar a bactéria “porque é resistente a quase todos os antibióticos", alertou Stinear.em válvulas cardíacas e implantes de próteses.

"Afeta apenas as pessoas mais suscetíveis. Pessoas saudáveis não têm infeções VRE", disse Stinear.

No total, 139 amostras de dois hospitais em Melbourne, na Austrália, foram estudadas entre 1997 e 2015. Os resultados revelaram que as bactérias Enterococcus faecium tornaram-se mais tolerantes ao álcool ao longo dos anos.

A equipa australiana realça ainda que são necessários mais estudos para verificar se esta tolerância ao álcool também acontece em outros países.

Ainda não está claro se é o aumento no uso de desinfetantes à base de álcool que está a impulsionar a adaptação bacteriana.
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