Mundo
Balas alemãs matam civis sírios
O Governo alemão autoriza, o complexo militar-industrial exporta: nos primeiros seis meses de 2016 a Alemanha expoortou armamento no valor de mais de 4.000 milhões de euros. A exportação de munições decuplicou em relação ao período homólogo do ano passado. Boa parte destina-se a países envolvidos na guerra síria.
Hoje, em Conselho de Ministros do Governo federal alemão, deverá voltar a
discutir-se o tema das autorizações de exportação de armamento. A
propósito deste agendamento, a agência noticiosa dpa emitiu um despacho, citado em Der Spiegel, com os dados
relativos ao primeiro semestre do ano, comparando-o com o período
homólogo de 2015.
No conjunto, regista-se que o Governo federal autorizou nesse período exportações de armamento no valor de 4,029 milhões de euros. Desse modo, emitiu autorizações correspondentes a um montante superior em mais de 500 milhões de euros ao primeiro semestre de 2015.
A rubrica mais importante refere-se à venda de uma fragata à Argélia, com um valor de cerca de mil milhões, que faz dela a principal cliente de exportações bélicas alemãs neste semestre.
No terceiro lugar já vindo de antes, mantém-se a Arábia Saudita, independentemente do clamor crescente contra os seus crimes de guerra no Iémen, violações de direitos humanos e número crescente de execuções capitais. Trata-se ainda por cima de um terceiro lugar que quase triplicou o valor das compras autorizadas na Alemanha (de 179 milhões para 484 milhões). As compras em causa dizem respeito a helicópteros, aviões e respectivas peças, bem como ao equipamento para abastecimento de combustível no ar.
Outros países situados em regiões sob ameaça de guerra, como a Coreia do Sul, aumentaram as compras à Alemanha: o Governo de Seul saltou do décimo para o quarto lugar entre os principais clientes, graças a compras de navios de guerra, peças sobressalentes para submarinos, mísseis e sistemas antimísseis, peças para tanques, helicópteros e aviões de combate, totalizando 205 milhões de euros.
Segundo a dpa, a exportação de armamento ligeiro produzido pela indústria alemã recuou ligeiramente no primeiro semestre de 2016, mas, em contrapartida, a exportação de munições multiplicou-se por dez.
Armamento ligeiro
Jan-Jun 2015 - 12,4 Mio. €
Jan-Jun 2016 - 11,6 Mio €
Munições
Jan-Jun 2015 - 27 Mio. €
Jan-Jun 2016 - 284 Mio €
Quem tutela a exportação de armamento no Governo federal alemão é o ministro da Economia e vice-chanceler, o socialdemocrata Sigmar Gabriel. Este tem-se encontrado sob uma forte pressão da opinião pública para controlar os destinos e utilizações do armamento exportado.
Especialmente escrutinada tem sido a exportação de armamento ligeiro - nomeadamente pistolas-metralhadoras e espingardas-metralhadoras -, que matam o maior número de civis na guerra em curso na Síria.
Sigmar Gabriel não tem sido insensível a essa pressão e o referido recuo das exportações de armamento ligeiro está relacionado com uma política mais restritiva na concessão de licenças de exportação dentro dessa categoria. No entanto, esse recuo é considerado insuficiente pelo Partido da Esquerda, que tem vindo a reclamar a proibição total da exportação de armamento ligeiro.
Por outro lado, há alterações ao longo do último ano que estão longe de apontar num sentido de maior selectividade e escrúpulo quanto aos destinos das exportações de armamento ligeiro. É que, se estas registaram globalmente um ligeiro recuo, passaram por outro lado a concentrar-se em países envolvidos nomeadamente na guerra civil síria.
A Turquia, que no início da crise dos refugiados se encontrava em 25º lugar na lista de compradores de munições, saltou agora para o oitavo lugar (com compras no valor de 76,4 milhões de euros). O Iraque, com compras de armamento ligeiro na ordem dos 5,4 milhões de euros, passou a ser um dos três principais compradores de armamento ligeiro (sendo os outros dois a França e a Polónia).
No conjunto, regista-se que o Governo federal autorizou nesse período exportações de armamento no valor de 4,029 milhões de euros. Desse modo, emitiu autorizações correspondentes a um montante superior em mais de 500 milhões de euros ao primeiro semestre de 2015.
A rubrica mais importante refere-se à venda de uma fragata à Argélia, com um valor de cerca de mil milhões, que faz dela a principal cliente de exportações bélicas alemãs neste semestre.
No terceiro lugar já vindo de antes, mantém-se a Arábia Saudita, independentemente do clamor crescente contra os seus crimes de guerra no Iémen, violações de direitos humanos e número crescente de execuções capitais. Trata-se ainda por cima de um terceiro lugar que quase triplicou o valor das compras autorizadas na Alemanha (de 179 milhões para 484 milhões). As compras em causa dizem respeito a helicópteros, aviões e respectivas peças, bem como ao equipamento para abastecimento de combustível no ar.
Outros países situados em regiões sob ameaça de guerra, como a Coreia do Sul, aumentaram as compras à Alemanha: o Governo de Seul saltou do décimo para o quarto lugar entre os principais clientes, graças a compras de navios de guerra, peças sobressalentes para submarinos, mísseis e sistemas antimísseis, peças para tanques, helicópteros e aviões de combate, totalizando 205 milhões de euros.
Segundo a dpa, a exportação de armamento ligeiro produzido pela indústria alemã recuou ligeiramente no primeiro semestre de 2016, mas, em contrapartida, a exportação de munições multiplicou-se por dez.
Armamento ligeiro
Jan-Jun 2015 - 12,4 Mio. €
Jan-Jun 2016 - 11,6 Mio €
Munições
Jan-Jun 2015 - 27 Mio. €
Jan-Jun 2016 - 284 Mio €
Quem tutela a exportação de armamento no Governo federal alemão é o ministro da Economia e vice-chanceler, o socialdemocrata Sigmar Gabriel. Este tem-se encontrado sob uma forte pressão da opinião pública para controlar os destinos e utilizações do armamento exportado.
Especialmente escrutinada tem sido a exportação de armamento ligeiro - nomeadamente pistolas-metralhadoras e espingardas-metralhadoras -, que matam o maior número de civis na guerra em curso na Síria.
Sigmar Gabriel não tem sido insensível a essa pressão e o referido recuo das exportações de armamento ligeiro está relacionado com uma política mais restritiva na concessão de licenças de exportação dentro dessa categoria. No entanto, esse recuo é considerado insuficiente pelo Partido da Esquerda, que tem vindo a reclamar a proibição total da exportação de armamento ligeiro.
Por outro lado, há alterações ao longo do último ano que estão longe de apontar num sentido de maior selectividade e escrúpulo quanto aos destinos das exportações de armamento ligeiro. É que, se estas registaram globalmente um ligeiro recuo, passaram por outro lado a concentrar-se em países envolvidos nomeadamente na guerra civil síria.
A Turquia, que no início da crise dos refugiados se encontrava em 25º lugar na lista de compradores de munições, saltou agora para o oitavo lugar (com compras no valor de 76,4 milhões de euros). O Iraque, com compras de armamento ligeiro na ordem dos 5,4 milhões de euros, passou a ser um dos três principais compradores de armamento ligeiro (sendo os outros dois a França e a Polónia).