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Baleeiro açoriano homenageado como pioneiro da colonização de Vancouver, Canadá

Baleeiro açoriano homenageado como pioneiro da colonização de Vancouver, Canadá

Vancouver, Canadá, 24 abr (Lusa) -- Os canadianos homenageiam no sábado em Vancouver um dos pioneiros da colonização da costa ocidental, o baleeiro açoriano Joe Silvey, considerado um exemplo de miscigenação e tolerância.

Lusa /

No sábado, pelas 14:00 (22:00 em Lisboa), uma estátua de cinco metros vai ser erguida para homenagear José Silva, que partiu da ilha do Pico em 1860 e foi dos primeiros ocidentais a instalar-se na zona onde é a atual Vancouver.

A memória histórica do português está diretamente relacionada com o respeito dos povos indígenas, já que Joe Silvey foi um dos defensores das populações locais no contexto da corrida ao ouro na zona e tomou duas índias como esposas.

O monumento, localizado em Stanley Park, um espaço perto da zona portuguesa de Vancouver, foi concebido pelo bisneto de Silvey, o escultor Luke Marston, inclui a estátua do baleeiro açoriano e das suas duas esposas nativas, sobre uma calçada portuguesa, para fazer a ligação ao país de origem.

Joe Silvey casou-se com Khaltinaht, neta respeitada do chefe Musqueam, Kiapilano, com quem teve dois filhos. Após a morte da cônjuge, voltou a casar-se com uma segunda índia nativa, Kwahama Kwatlematt, tendo mais nove filhos.

Além de ensinar os indígenas a fazer redes para apanhar o peixe, Joe Silvey obteve a primeira licença de pesca naquela província, abriu um dos primeiros bares e uma loja com material para os mineiros em Gaston, onde hoje se localiza Vancouver.

Na ocasião, haviam apenas cerca de 300 europeus, mas com a corrida ao ouro, o número rapidamente subiu para 30 mil imigrantes ocidentais.

Para proteger a sua família, já que a miscigenação não era bem vista pelos conservadores europeus, Silvey comprou a ilha de Reid, tendo levado para lá os filhos e a sua esposa.

O açoriano acabaria por nunca regressar à sua terra, ficando sepultado naquela ilha canadiana.

Agora o seu percurso ficará "reconhecido" no emblemático parque de Vancouver, uma das zonas turísticas nobres da cidade, que recebe anualmente, cerca de 2,5 milhões de visitantes.

O financiamento para o projeto incluiu contribuições governamentais tanto canadianas como portuguesas, dos Povos das Primeiras Nações, da família de Silvey, através de Luke Marston.

Mais recentemente, a cidade de Vancouver e o conselho do Parque de Vancouver associaram-se ao financiamento da obra.

Na Colúmbia Britânica, vivem cerca de 30 mil portugueses e luso-canadianos, a grande maioria em Vancouver e arredores, existindo também importantes comunidades em Kitimat e no vale do Okanagan.

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