Bali. Estrelas em aço para recuperar barreira de coral

Em redor da ilha indonésia de Bali, estão a ser colocadas estruturas em aço em forma de estrela para preencher os espaços vazios deixados por corais mortos. A Fundação Nusa Dua pretende instalar cerca de cinco mil estrelas nos recifes, nos próximos cinco anos, para ajudar a regeneração da barreira de coral.

Carla Quirino - RTP /
Nyimas Laula - Reuters

O arquipélago indonésio abriga mais de 75 por cento das espécies de corais do mundo. Cerca de metade foi identificada, em 2018, como estando em "más" ou em "péssimas" condições, segundo uma pesquisa do Departamento de Pesca e Marinha de Bali.

Para contrariar a destruição deste ecossistema, estão a ser instaladas no fundo do mar estruturas hexagonais em aço, com hastes revestidas a areia, como suporte de crescimento do novo coral.

A iniciativa partiu da Fundação Nusa Dua que pretende, com o projeto das "estrelas do recife", participar na conservação e regeneração da barreira de coral. A organização diz já ter colocado perto de seis mil "estrelas", mas quer aumentar este recife artificial.

"O nosso objetivo é instalar cinco mil estrelas de recife nos próximos cinco anos", declarou Patriana Hutasoit, antiga colaboradora do World Wildlife Fund, citada pela Reuters. E acrescenta: "No futuro, se for possível, queremos expandir o projeto para fora de Bali".


Pariama Hutasoit mergulha nas águas cristalinas da ilha indonésia de Bali para retirar o plástico de uma "estrela de recife" | Nyimas Laula - Reuters

Educar a comunidade e sensibilizar os residentes para a importância de proteger os recifes de coral de Bali são também atividades desenvolvidas pela Fundação.

I Nyoman Sadnya, pescador local, relata que os pais extraíram corais dos recifes durante décadas, desconhecendo os danos. 

Os corais eram usados para fundações de casas e em peças decorativas, correspondendo a uma fonte de rendimento.

"Os meus pais não tinham emprego e a área aqui costumava ser árida e, às vezes, era difícil encontrar comida", disse Sadnya. E continuou: "Então, recorreram à mineração de coral para materiais de construção, porque eles não sabiam do impacto destrutivo de longo prazo".

"Ao observar a condição dos recifes de coral hoje, percebemos que o que fizemos no passado com eles foi totalmente errado",
rematou I Nyoman Sadnya.


Nyimas Laula - Reuters

A barreira de coral enfrenta uma forte erosão e branqueamento, processo conhecido pela perda de cor do ser vivo marinho. Esta destruição é atribuída à atividade humana, que abarca a pesca destrutiva e o aquecimento global.

No dia 8 de junho assinala-se o Dia Mundial dos Oceanos e Pariama Hutasoit, para além de deixar o alerta para o ecossistema moribundo de Bali, pretende angariar parceiros que colaborem na restauração dos recifes de coral.
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