Bálticos homenageiam Ieltsin, chave para as três independências

Os dirigentes políticos da Estónia, Letónia e Lituânia homenagearam o antigo presidente russo Boris Ieltsin, falecido segunda-feira em Moscovo, que foi chave para as suas independências e adesão à União Europeia (UE) desde 2004.

Agência LUSA /

"Foi um homem de Estado que preparou o terreno nomeadamente para a independência da Lituânia", declarou em Vilnius o primeiro-ministro, Gediminas Kirlikas, reagindo ao falecimento do antigo dirigente russo, vítima de um ataque cardíaco aos 76 anos.

"Os acordos assinados por Ieltsin, sobretudo o que incidiu na retirada do exército russo, foram os mais importantes para a Lituânia", acrescentou.

Pouco depois do golpe de Agosto de 1991, perpetrado pelos comunistas radicais que tentaram derrubar Mikhail Gorbachov, Ieltsin, então presidente russo, reconheceu a independência dos três países bálticos.

Anteriormente, no mesmo ano, blindados soviéticos mataram dezenas de lituanos que se manifestavam pela independência na capital e Ieltsin saiu em apoio das soberanias da região.

A Estónia, Letónia e Lituânia foram anexadas à União Soviética (URSS) pelo ditador José Estaline no fim da II Guerra Mundial.

"Foi uma pessoa corajosa, com o coração aberto, que fará parte da história russa, dos países bálticos e do mundo", afirmou por seu turno o presidente lituano, Valdas Adamkus.

"Contribuiu para acelerar o caminho para a liberdade (...) e foi uma honra ser seu amigo", adiantou.

Já o chefe de Estado estónio, Toomas Hendrik Ilves, numa carta de condolências recordou a "queda do regime totalitarista soviético", expressando "gratidão" a Ieltsin pela sua "ajuda" ao país, de onde as tropas russas sairiam em 1994, três anos após a independência.

A presidente da Letónia, Vaira Vike-Freiberga, enalteceu a "capacidade - de Ieltsin - para tomar decisões nos momentos cruciais" e reconheceu o seu "papel determinante não só na história russa, como na da Europa de Leste".

Na Ucrânia, o presidente Viktor Iuchtcheko apresentou condolências ao presidente russo, Vladimir Putin e à família de Ieltsin, "um político épico" e, também, "grande democrata", ligado a um "período crucial da história".

"A contribuição de Ieltsin para a renovação do Estado russo, para a afirmação dos princípios da liberdade, para a igualdade de direitos e para a soberania no espaço pós-soviético é única", concluiu.

Na Roménia, o ex-presidente Ion Iliescu também homenageou em comunicado antigo chefe de Estado russo, "figura proeminente da história contemporânea", com uma "intervenção importante no processo conducente ao desmantelamento da URSS".

O texto vinca a "determinação com que Ieltsin enfrentou as forças russas mais conservadoras e as reformas para a democratização da sociedade" no seu país.

Em Praga, o primeiro-ministro checo elogiou Ieltsin enquanto obreiro da "transição do país para a sociedade moderna".

"Considero o primeiro presidente da Federação Russa uma personalidade histórica que, no seu país, assegurou a passagem do modelo soviético para a sociedade moderna", observou Mirek Topolanek numa mensagem de condolências.

"Foi o primeiro presidente russo que visitou a República Checa independente", concluiu.

Nos Balcãs, o presidente croata anuiu igualmente em que Ieltsin está "ligado à transição democrática da sociedade russa".

"O seu nome ficará ligado a uma época durante a qual a Federação Russa se transformou numa sociedade pluralista e multipartidária", acentuou Stipe Mesic numa mensagem de condolências a Putin.

"A Croácia lembrará Ieltsin enquanto dirigente da Rússia no momento em que, já como país independente, estabelecia as suas primeiras relações diplomáticas", destaca o texto.


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