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Ban Ki Moon atacado em Gaza

Ban Ki Moon atacado em Gaza

O secretário-geral da ONU foi vaiado e os veículos da ONU recebidos com pedras, paus e sapatos, atirados por cerca de 40 palestinianos, em fúria pelo facto de Ban Ki Moon ter recusado reunir-se “sem justificação” com as famílias dos palestinianos detidos em Israel. Os manifestantes tentaram impedir o comboio de veículos da ONU de entrar em Gaza mas foram afastados pela segurança palestiniana. Representantes da sociedade civil em Gaza anularam, igualmente em protesto, um almoço com Ban Ki Moon.

RTP /
Paus, pedras e sapatos receberam o secretário-geral da ONU à sua entrada em Gaza Ali Ali, EPA

Além de atirar projeteis contra os carros da ONU, os manifestantes empunhavam cartazes em árabe e em inglês, com a frase “Ban Ki Moon, já basta de favorecer Israel”.

“Esperávamos que ele mostrasse a sua preocupação com o sofrimento de mais de 5.000 palestinianos [detidos] nas prisões israelitas” explicaram dois militantes dos Direitos do Homem.

Iyad Sarraj e Raji Sourani lembraram os múltiplos encontros entre Ban Ki Moon e os pais do soldado israelita Gilad Shalit, detido em Gaza mais de cinco anos e que foi libertado em 2011 numa troca de prisioneiros.

“Recebemos uma resposta negativa injustificada, indicativa da recusa do secretário-geral de se encontrar com representantes das famílias dos detidos, dentro da nossa delegação”, relatou um comunicado dos representantes da sociedade civil a explicar a anulação do almoço com Ban Ki Moon.

Ao recusar o convite para o encontro com as famílias, o secretário-geral da ONU assegurou que se “preocupa com a situação dos prisioneiros palestinianos”, sublinhando que se “reuniu na noite passada com o ministro palestiniano encarregado do dossier dos prisioneiros”.

Ninguém ficou ferido no protesto e as testemunhas ignoram se o carro em que viajava Ban Ki Moon foi atingido.
Apelos a Israel e ao Hamas
Ban Ki Moon está a terminar uma visita à Jordânia, Israel e territórios palestinianos, durante a quel tentou relançar as conversações israelo-palestianas e que termina hoje na Faixa de Gaza, um território dominado pelo grupo islamita Hamas, que jurou destruir Israel.

“Os habitantes de Gaza têm de parar de disparar sobre Israel”, afirmou o secretário-geral da ONU numa conferência de imprensa em Khan Younis, no sul de Gaza, pouco depois da receção hostil na fronteira. Ontem várias granadas de morteiro foram lançadas a partir de Gaza contra o sul de Israel, sem provocar vítimas.

Ban Ki Moon apelou igualmente Israel a “fazer mais” para aligeirar o bloqueio a Gaza, em particular a “abertura dos pontos de passagem do território às exportações.” E exortou Jerusalém a “gestos de boa vontade” que permitam o seguimento de discussões “exploratórias” com os palestinianos.
Aligeirar o bloqueio
ONU, Estados Unidos e o enviado do Quarteto para o Médio Oriente, Tony Blair, estarão a pressionar o primeiro ministro israelita Benjamin Netanyahu para anuir a medidas que “restabeleçam a confiança” com a Autoridade Palestiniana, segundo o jornal israelita Maariv .

Parte das medidas, propostas num documento assinado por Tony Blair, seriam aplicadas de imediato e as outras em Março.

Uma dessas medidas seria um reforço do papel das forças de segurança palestinianas na Cisjordânia. É proposto também o lançamento de projetos de construção em zonas sob controlo israelita e a emissão de mais 5.000 vistos de trabalho para palestinianos em Israel.

Quanto ao bloqueio a Gaza, Israel iria permitir a importação de materiais de construção destinados a mil casas e instituições educativas, além de autorizar a exportação de produtos têxteis e de móveis para a Cisjordânia.
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