Banco do Vaticano lança dois novos índices inspirados em ensinamentos católicos

Banco do Vaticano lança dois novos índices inspirados em ensinamentos católicos

O Instituto para as Obras da Religião (IOR na sigla em italiano), mais conhecido como Banco do Vaticano, vai lançar dois índices acionistas baseados nos ensinamentos da Doutrina Social da Igreja. Os índices serão desenvolvidos em conjunto com a Morningstar.

RTP /
Foto: Reuters

Serão direcionados para a Zona Euro (Morningstar IOR Eurozone Catholic Principles) e para os Estados Unidos (Morningstar IOR US Catholic Principles), e serão compostos por ações de 50 emissores cada um e “focam-se em empresas de média e grande capitalização”.

Os objetivos declarados são a construção de um mercado baseado nas “melhores práticas e de acordo com os critérios da ética católica e designados para servir como uma referência para os investimentos católicos a nível mundial”.

Esses critérios incluem os ensinamentos católicos em relação à vida, proteção ambiental e responsabilidade social, de acordo com a Reuters, numa altura em que os fundos de investimento baseados nestes princípios registaram saídas de 84 mil milhões de dólares (70,6 mil milhões de dólares) em 2025.

No entanto, o investimento baseado na Doutrina Social da Igreja não é um conceito novo e tem registado alguma popularidade, como o fundo norte-americano de índices cotados S&P 500 Catholic Values Index, que tem mais de 840 milhões de euros em ativos sob gestão.

“Com o lançamento destes dois novos índices bolsistas, o IOR dá mais um passo em frente no processo que o tem levado a adotar as melhores práticas financeiras”, destaca o vice-diretor-geral do Banco do Vaticano, Giovanni Boscia, que destaca que o cumprimento dos critérios éticos católicos “permite-nos tornar os nossos processos de avaliação e reporte de desempenho ainda mais rigorosos e transparentes”.

O diretor-geral dos Índices Morningstar para a Europa, Médio Oriente e África, Robert Edwards, ressalvou a busca dos investidores por “cada vez mais índices de referência que reflitam critérios específicos baseados em valores ou em políticas”.

A decisão vem na sequência de reformas que começaram a ser implementadas pelo Papa Francisco, para aumentar a transparência do Banco do Vaticano, envolvido em vários escândalos de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro. O microestado mantem uma carteira de pagamentos que, em 2024, representou um lucro de 38,1 milhões de euros.
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