Mundo
Guerra na Ucrânia
Banco estatal russo demite economista que viu Moscovo a "ficar para trás"
O economista-chefe do segundo maior banco da Rússia, VEB, foi demitido após uma série críticas sobre o estado da economia, incluindo alertas de que Moscovo não venceria a guerra económica com a Ucrânia.
Andrei Klepach, um dos mais proeminentes macroeconomistas da Rússia, fez as declarações num fórum financeiro em maio, mas estas apenas foram divulgadas pelos meios de comunicação russos na semana passada.
Nas declarações em causa, Klepach alertava que Moscovo estava “a ficar para trás” e a perder “a competição tecnológica e económica mundial”. “E estamos a perder não apenas para a China e os Estados Unidos, mas, de certa forma, também para a Ucrânia", disse.
"Não venceremos a competição nesta guerra de desgaste. Temos a ilusão de que tudo lá [na Ucrânia] entrará em colapso. Não entrou em colapso e não entrará. Os nossos custos estão a aumentar", afirmou, alertando para uma “crise social” que eclodiria “quando ninguém menos esperasse”.
Klepach destacou a resiliência da Rússia às sanções ocidentais, mas afirmou que as pressões estavam a aumentar devido aos ataques ucranianos à infraestrutura de energia e logística.
O economista também criticou o que chamou de excessiva dependência da Rússia em relação à China e afirmou que a falta de coordenação nas políticas monetária, orçamental e industrial contribuiu para a desaceleração económica deste ano.
"A qualidade da governança está a deteriorar-se quase constantemente", disse. "Decisões com baixíssimo nível de justificativa, mas com consequências estratégicas de longo prazo, são tomadas o tempo todo", acrescentou. Klepach ocupou diversos cargos em instituições económicas e trabalhou no Ministério da Economia durante dez anos anos antes de ingressar o VEB.
O discurso, publicado no site do Clube Nikitsky – um fórum de economistas, académicos e funcionários do Governo – representou uma rara crítica pública, por parte de uma figura de alto escalão de uma instituição estatal, aos custos da continuidade da guerra contra a Ucrânia, iniciada por Moscovo em 2022. Para além disso, vão contra as afirmações do presidente russo, Vladimir Putin, de que a Rússia está a superar com sucesso as pressões económicas da guerra e que o colapso económico da Ucrânia é apenas uma questão de tempo.
A economia russa enfrenta o período mais difícil desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia por Putin em 2022, pressionada pelos gastos em tempos de guerra, pelas sanções ocidentais e pela crescente capacidade da Ucrânia de atacar a indústria de petróleo e gás de Moscovo.
Só nos primeiros quatro meses de 2026, o défice orçamental da Rússia atingiu 5,87 biliões de rublos, bem acima da meta governamental.
A economia da Rússia recuou 0,2% no primeiro trimestre deste ano, registando a primeira queda trimestral em três anos. E em julho, o Banco Central da Rússia sugeriu que a economia poderia não crescer este ano.
Apesar destes indicadores, Putin afirmou que a economia está estável, apesar do que chamou de “tentativas externas” de miná-la.
c/ agências
Nas declarações em causa, Klepach alertava que Moscovo estava “a ficar para trás” e a perder “a competição tecnológica e económica mundial”. “E estamos a perder não apenas para a China e os Estados Unidos, mas, de certa forma, também para a Ucrânia", disse.
"Não venceremos a competição nesta guerra de desgaste. Temos a ilusão de que tudo lá [na Ucrânia] entrará em colapso. Não entrou em colapso e não entrará. Os nossos custos estão a aumentar", afirmou, alertando para uma “crise social” que eclodiria “quando ninguém menos esperasse”.
Klepach destacou a resiliência da Rússia às sanções ocidentais, mas afirmou que as pressões estavam a aumentar devido aos ataques ucranianos à infraestrutura de energia e logística.
O economista também criticou o que chamou de excessiva dependência da Rússia em relação à China e afirmou que a falta de coordenação nas políticas monetária, orçamental e industrial contribuiu para a desaceleração económica deste ano.
"A qualidade da governança está a deteriorar-se quase constantemente", disse. "Decisões com baixíssimo nível de justificativa, mas com consequências estratégicas de longo prazo, são tomadas o tempo todo", acrescentou. Klepach ocupou diversos cargos em instituições económicas e trabalhou no Ministério da Economia durante dez anos anos antes de ingressar o VEB.
O discurso, publicado no site do Clube Nikitsky – um fórum de economistas, académicos e funcionários do Governo – representou uma rara crítica pública, por parte de uma figura de alto escalão de uma instituição estatal, aos custos da continuidade da guerra contra a Ucrânia, iniciada por Moscovo em 2022. Para além disso, vão contra as afirmações do presidente russo, Vladimir Putin, de que a Rússia está a superar com sucesso as pressões económicas da guerra e que o colapso económico da Ucrânia é apenas uma questão de tempo.
A economia russa enfrenta o período mais difícil desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia por Putin em 2022, pressionada pelos gastos em tempos de guerra, pelas sanções ocidentais e pela crescente capacidade da Ucrânia de atacar a indústria de petróleo e gás de Moscovo.
Só nos primeiros quatro meses de 2026, o défice orçamental da Rússia atingiu 5,87 biliões de rublos, bem acima da meta governamental.
A economia da Rússia recuou 0,2% no primeiro trimestre deste ano, registando a primeira queda trimestral em três anos. E em julho, o Banco Central da Rússia sugeriu que a economia poderia não crescer este ano.
Apesar destes indicadores, Putin afirmou que a economia está estável, apesar do que chamou de “tentativas externas” de miná-la.
c/ agências