Sonda Chang`E-5. Bandeira da exploração chinesa cada vez mais presente na Lua

A China continua a dar passos de gigante na exploração espacial. Novo sinal deste desenvolvimento é a preparação de mais um lançamento do foguetão de carga pesada Grande Marcha 5. A missão envolve a sonda Chang'E-5, que tem por destino a Lua e vai recolher amostras de solo.

Nuno Patrício - RTP /
Foto: OurSpace/DR

Este poderoso foguetão, com cerca de 878 toneladas, está a ser utilizado para colocar no espaço, para já, veículos robóticos que dão corpo aos projetos dos chineses.

Os engenheiros chineses precisaram de apenas duas horas para transferir verticalmente o lançador Long March 5 do hangar de montagem até ao Centro de Lançamento de Satélites costeiro de Wenchang.

De acordo com informações da agência espacial chinesa, o lançamento da sonda Chang'E-5, de 8,2 toneladas, está previsto para dia 24 de novembro. Na pior das hipóteses, decorrerá no final de novembro.Uma missão bem sucedida faria da China o terceiro país a recolher e a entregar amostras lunares à Terra, depois do programa tripulado da Apollo dos EUA e das missões robóticas Luna soviéticas das décadas de 1960 e 1970.

Os preparativos para o lançamento em Wenchang seguem a bom ritmo desde meados de setembro. Este é o quarto e o mais recente foguete da missão Long March 5, que em julho lançou com sucesso a sonda Tianwen-1 para Marte.

Mas nem sempre este lançador foi sinónimo de eficácia a 100 por cento. Em julho de 2017 um foguete desta categoria não conseguiu alcançar a orbita desejada, atrasando em três anos a missão Chang'E-5, prevista para aquele ano.



Conhecer a geologia do outro lado da Lua

Esta não será a primeira vez que um robot chinês chega à Lua e muito menos aos locais tradicionalmente conhecidos das missões Luna e Apollo.

A China foi mais ambiciosa na demanda e quis saber como era a parte oculta da Lua. Ou seja, a face que está sempre escondida dos olhares terrestres.

A alunagem da Chang'E-5 terá como alvo um local próximo de Mons Rümker, formação vulcânica situada na região do Oceanus Procellarum.

Creditos imagem: Phil Stooke/DR

Esta região contém unidades geológicas relativamente jovens - cerca de 1,21 mil milhões de anos - face às amostras trazidas para a Terra pelos astronautas da Apollo, que se estimam ter entre 3,1 e 4,4 mil milhões de anos.

Segundo os engenheiros e cientistas chineses, o nascer do Sol sobre a região lunar de Mons Rümker ocorrerá no dia 27 de novembro, antes da tentativa de pouso da Chang’E-5.

A missão visa recolher cerca de dois quilos de amostras de material lunar, entre amostras à superfície e outras recolhidas a uma profundidade de até dois metros.Ao contrário da missão e do rover Chang'E-4, capaz de sobreviver durante um longo período ao gelo noturno lunar, devido a várias unidades de aquecedores de radioisótopos, a Chang'e-5 não leva este equipamento, pois a sua missão vai ter de decorrer enquanto o Sol marca presença naquela lado lunar. Ou seja, cerca de 14 dias (um dia lunar).

Após a recolha, será realizada uma série de ações complexas: parte do módulo da sonda sairá do solo lunar, fará uma acoplagem automática com um transportador, que depois regressará à Terra com o material; além de fazer a habitual reentrada a alta velocidade na atmosfera terrestre.

A missão deve durar cerca de 23 dias, desde o lançamento até à aterragem em Siziwang Banner, na Mongólia Interior, entre 16 e 17 de dezembro.

As amostras serão então transferidas para instalações especialmente desenvolvidas para manuseamento, análise e armazenamento do material lunar.China tem sonda suplente
A Chang'E-5 é a terceira fase do projeto de exploração lunar chinês formulado no início dos anos 2000, com as primeiras sondas orbitais Chang'e-1 e 2, seguindo-se as missões de alunagem Chang'E-3 e 4.

Os chineses equacionaram já um eventual desastre. Os engenheiros aeroespaciais têm na "manga" uma segunda sonda pronta: a Chang’E-6.

Creditos imagem: CCTV/framegrab/DR

A Chang'E-6, noticiaram os media chinesas, é praticamente uma réplica da “irmã” Chang’E-5. Foram projetadas e construídas ao mesmo tempo, para fornecer um backup em caso de falha. O sucesso da primeira levará a Chang'e-6 a ser reaproveitada para uma missão no pólo sul lunar em 2023.

A China declarou ainda que, após o sucesso destas duas missões, irá prosseguir para uma nova fase na exploração lunar, envolvendo novas sondas robóticas.
O objetivo será estabelecer uma "estação internacional de investigação lunar" em meados da década de 2030.
A tecnologia de recolha de amostras e a experiência desenvolvida através do Chang'E-5 servirão de base para futuras missões com finalidades semelhantes, bem como a asteróides e a Marte, no final da década.

A complexidade do perfil da missão Chang'E-5 é considerada pelos observadores como importante para futuras ambições de missões lunares tripuladas.
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