Barack Obama foi eleito pelo comité norueguês

O Prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "pelos seus extraordinários esforços com vista a reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos", anunciou o Comité Nobel norueguês que destacou ainda "a visão e os esforços de Obama no sentido de um mundo sem armas nucleares".

RTP /
Obama recebeu a destinação da Academia sueca que lhe atribui o Prémio Nobel da Paz Peter Foley/EPA

Barack Obama, de 48 anos, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, recebeu esta manhã o Prémio Nobel da Paz 2009 "pelos seus extraordinários esforços para reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos", anunciou o Comité Nobel norueguês.

"O comité deu muita importância à visão e aos esforços de Obama no sentido de um mundo sem armas nucleares", declarou o presidente do Comité Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland, ao mesmo tempo que referia o Presidente Obama como alguém que "criou um novo clima na política internacional".

Na justificação à entrega do prémio o comité refere que "a diplomacia multilateral voltou a ganhar uma posição central, com ênfase no papel que as Nações Unidas e outras instituições internacionais podem desempenhar" e, além disso, devido à sua influência, "o diálogo e as negociações são preferidas como instrumentos para a resolução mesmo dos mais difíceis conflitos internacionais", sendo que "a visão de um mundo livre de armas nucleares estimulou poderosamente as negociações de controlo de armas".

Graças à iniciativa de Obama, "os EUA estão agora a desempenhar um papel mais construtivo na abordagem dos grandes desafios das alterações climáticas que o mundo enfrenta" e "a democracia e os direitos humanos serão reforçados".

Lê-se ainda na citação que justifica o prémio que "só muito raramente uma pessoa capturou como Obama a atenção do mundo e deu esperança ao seu povo num futuro melhor" e "a sua diplomacia baseia-se no conceito de que quem dirige o mundo o deve fazer na base de valores e atitudes partilhadas pela maioria da população mundial".

A concluir, o Comité Nobel norueguês sublinha esforçar-se "há 108 anos por estimular precisamente essa política internacional e essas atitudes das quais Obama é o principal porta-voz no mundo".

O prémio será entregue em Oslo, no próximo dia 10 de Dezembro, data do aniversário da morte do seu fundador, o industrial e filantropo sueco Alfred Nobel, e consiste numa medalha, um diploma e um cheque de cerca de 980 mil euros.

Prémio surge antes do primeiro aniversário da eleição
Menos de um ano após a sua eleição para a Casa Branca, Obama diz-se herdeiro dos ideiais dos direitos cívicos de Martin Luther King e do presidente John Kennedy.

Carismático e mediático, parece inspirar nos seus apoiantes um entusiasmo contagiante, mas encontra-se confrontado com dois conflitos militares abertos, no Iraque e no Afeganistão, locais onde pretende implementar uma nova estratégia.

Barack Hussein Obama saiu do anonimato em Julho de 2004 quando, defendendo o candidato presidencial John Kerry na Convenção democrata, preconizou a reconciliação dos Americanos para além das suas diferenças de raça, de idade ou de sexo.

Advogado especializado nos direitos cívicos, foi criado em Hawaï onde nasceu a 4 de Agosto 1961 de uma mãe branca e de um pai queniano.

O seu avô, no Quénia, era um empregado cujo filho alcançou uma bolsa para estudar economia nos Estados Unidos.

Professor em Hawaï, o pai de Barack Obama casou com uma jovem branca do Kansas quando os casamentos interraciais ainda eram proibidos em numerosos Estados do Sul.

Barack Obama tinha dois anos quando o seu pai deixou a família, regressando a Nairobi onde foi nomeado ministro das Finanças.
PUB