Baronesa Thyssen ameaça mudar Museu devido a projecto Siza Vieira em Madrid
Madrid, 28 Nov (Lusa) - Um projecto de Siza Vieira para a reforma de um dos eixos principais da cidade de Madrid continua envolto em polémica, apesar de uma revisão dos desenhos iniciais, apresentada esta semana, e que já foi amplamente criticada.
Quer o projecto inicial quer uma versão alterada, apresentada esta semana, foram já contestados pela baronesa Thyssen, que ameaçou levar o Museu Thyssen para outro ponto de Madrid, com menos tráfego, se a ideia avançar.
A reforma em questão centra-se no eixo das avenidas Prado e Recoletos, duas das principais da cidade e onde estão, entre outros, o Museu do Prado e o Museu Thyssen, dois dos maiores ícones culturais de Madrid.
O desenho inicial, que há cinco anos foi posto a concurso, causou intensa polémica, levando a baronesa Thyssen a acorrentar-se a uma árvore em protesto pelo corte previsto de árvores e a reforma que prejudicaria o Museu Thyssen.
Depois de meses de polémica, a autarquia apresentou algumas alterações, que a baronesa, Carmen Cervera, considerou insuficientes, já que o Museu Thyssen está, na sua opinião, "totalmente desfavorecido".
Cervera queixou-se hoje de que a reforma prevista levará ainda mais trânsito a passar pela frente do Museu, o que pela contaminação "pode produzir uma grave deterioração e pôr em perigo" a colecção da instituição.
A plantação de árvores prevista acabará também por "beneficiar apenas o tráfego" e quem visitar o museu ou seja peão "estará numa zona de deserto".
Os responsáveis camarários insistem em que a alteração do desenho, levada a cabo pela equipa de Siza Vieira, não só reduzirá o trânsito na zona em cerca de 30 por cento como incluirá o plantio de mais 2.273 árvores em todo o percurso, entre as praças de Colón e Atocha.
Alberto Ruiz-Gallardón, presidente da autarquia, apresentou já o projecto ao governo regional de Madrid, para uma avaliação ambiental, alegando que este é "o melhor resultado possível", com menos trânsito e mais zonas pedonais.
No denominado "salão do Prado", em frente do Museu Thyssen, passará a haver apenas duas filas por sentido, mais duas plataformas reservadas para autocarros ecológicos.
A superfície pedonal aumenta 61 por cento para mais de 408 mil metros quadrados.
Sobre as críticas do Thyssen, Ruiz Gallardon afirma que a versão revista recolhe muitas das preocupações expressas pelo museu, nomeadamente passeios mais largos em frente do museu, que não se corte nenhuma árvore e menos trânsito.
O projecto, primeiro apresentado já em 2003, terá depois do estudo de impacto ambiental de passar ainda por um novo período de informação pública, o que deve adiar o arranque das obras para 2009.
César Antonio Molina, ministro da Cultura, manifestou já hoje o desejo de que o projecto deixe "em igualdade de condições" todos os museus, por forma a garantir que o Thyssen "tenha o espaço que merece".
Já a Comunidade de Madrid (governo regional), através do responsável de Transportes e Infrastruturas, Manuel Lamela, manifestou-se preocupado pelo impacto do projecto na mobilidade em Madrid.
Lamela recordou que o eixo Prado-Recoletos é um dos principais de Madrid, por onde circulam diariamente dezenas de milhares de veículos, propondo por isso alternativas, entre as quais um novo túnel para veículos privados.
Por saber continua o custo exacto das obras, uma vez que nem a autarquia nem os responsáveis pelo projecto aceitaram referir-se a essa questão.