Barroso quer propostas para política de imigração comum aprovadas em Dezembro
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse ser intenção de Bruxelas aprovar na cimeira de Dezembro um conjunto de propostas para uma política comum de imigração e alertou para os riscos inerentes ao terrorismo.
Falando na conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro, José Sócrates, Durão Barroso considerou "um absurdo que uma Europa, que se pretende assumir como um espaço aberto, tenha 27 políticas distintas" em relação ao fenómeno das migrações.
"Os problemas da Europa são globais e merecem também uma resposta global. Com a aprovação do novo Tratado Reformador, será precisamente na área da justiça, liberdade e segurança que se registarão os maiores progressos", declarou.
Neste ponto, José Sócrates disse defender uma política comum europeia de migrações baseada nos princípios do "combate à imigração ilegal, abertura à inclusão e reconhecimento da valia económica e dos direitos sociais dos imigrantes".
"Portugal está também empenhado numa política que valorize a cooperação com os países que estão na origem dos fluxos migratórios", adiantou o chefe do Governo português e, desde domingo, presidente em exercício da UE.
Em matéria de combate ao terrorismo, Sócrates e Barroso defenderam que o novo Tratado da União Europeia terá instrumentos importantes ao nível da cooperação policial.
"A Europa precisa de progredir no combate ao terrorismo - uma das maiores ameaças globais. A aprovação do Tratado dará um sinal muito positivo nesse domínio", disse.
Por sua vez, Durão Barroso adiantou que, de acordo com as informações recolhidas em Bruxelas, os atentados abortados em Londres e Glasgow (Escócia) "já foram combatidos ao abrigo de legislação comunitária".
"O facto da UE ter aprovado uma directiva que permite a retenção de dados durante mais tempo foi essencial para que a polícia britânica tivesse seguido algumas redes suspeitas"", revelou.
A partir deste exemplo, Barroso defendeu que "não faz sentido travar a luta contra o terrorismo apenas ao nível intergovernamental, mas antes ao nível supranacional".
"Em Setembro, vamos fazer a revisão da decisão quadro do Conselho sobre luta anti-terrorista", disse, antes de sublinhar a importância da "cláusula" de solidariedade ao nível da segurança que consta no futuro Tratado da UE, que substituirá a fracassada Constituição europeia, rejeitada por franceses e holandeses em 2005.