Mundo
Batalha campal nas ruas de Budapeste domina meios de comunicação
As consequências da batalha campal de segunda-feira entre polícias e manifestantes em Budapeste dominam a atenção dos media húngaros, com as televisões a transmitirem, a partir dos hospitais, imagens de alguns dos quase 170 feridos nos confrontos.
Além das 130 pessoas que receberam tratamento devido aos ferimentos sofridos, 88 foram levadas para os hospitais de Budapeste, de acordo com as equipas de emergência médica.
Entre 30 a 40 pessoas foram detidas e fonte da câmara municipal de Budapeste indicou que os danos materiais se elevam a 760.000 euros.
Numa altura em que chove na capital húngara e a cidade vive numa aparente calma, os principais canais de televisão passam ainda constantemente imagens das cenas de violência que se viveram até à madrugada de hoje, percorrem as ruas à procura das consequências e entrevistam jornalistas estrangeiros para perceber qual a imagem transmitida para o exterior dos acontecimentos da véspera.
Em destaque esteve também uma intervenção esta tarde no Parlamento do primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, acusando o líder da oposição de direita, Viktor Orban, de recorrer à extrema- direita para conseguir a sua demissão nas ruas.
"Palavras radicais provocam actos radicais. O líder da oposição ofereceu uma ideologia aos arruaceiros. A ligação é evidente", disse dirigindo-se ao líder da oposição, que viajou hoje para Estrasburgo e esteve segunda-feira ausente das cerimónias oficiais do 50 aniversário da revolta húngara de 23 de Outubro de 1956 contra a ocupação soviética do país, nas quais participou o Presidente da República português, Cavaco Silva.
A divisão que caracterizou as celebrações, expressa com violência nas ruas, está também patente nos principais jornais publicados hoje na Hungria.
O diário Népszabadság, de esquerda, titula na sua edição de hoje: "Violência e luta nas ruas no aniversário dos 50 anos de 1956".
"Conseguimos celebrar condignamente o aniversário da revolução ?", começa por perguntar o texto de abertura do periódico.
Para logo de seguida dar a resposta: "As comemorações transformaram-se numa batalha campal entre polícia e manifestantes, que começou na praça Kossuth, e põem em causa as palavras do Presidente da República no domingo (Laszlo Sólyom apelou numa cerimónia realizada nesse dia a que as comemorações fossem "uma verdadeira festa nacional)".
Já o Magyar Nemzet, de direita, prefere acentuar a brutalidade da polícia de choque nas diversas cargas que efectuou sobre os manifestantes, titulando: "Terror da polícia nas comemorações do aniversário de 1956".
"A polícia carregou ontem (segunda-feira) com uma brutalidade sem precedentes sobre os manifestantes, na celebração do 50 aniversário da revolução de 1956. Numa resposta às manifestações contra o governo, a polícia disparou balas de borracha e gás lacrimogéneo, apontando à cabeça dos manifestantes, além de utilizar canhões de água e forças a cavalo", pode ler-se.
Com fotografias a preto e branco dos acontecimentos da véspera, o mesmo jornal acrescenta: "os polícias investiram sobre a multidão sem olhar a quem, foram atacadas diversas pessoas na rua, incluindo idosos, ouviram-se gritos e viram-se pessoas ensanguentadas".
De resto, no Parlamento húngaro a actuação da polícia foi questionada pelos partidos de oposição, nomeadamente pelo Fidesz, acusando as forças da ordem de ter usado força desproporcionada e de ter atacado indiscriminadamente e descontroladamente, sem avaliar quem atingia.
Péter Gergényi, o principal responsável pela polícia da cidade húngara surgiu esta tarde nos canais televisivos admitindo que as forças anti-motim "actuaram duramente" mas "dentro do quadro legal" vigente no país. Opinião idêntica tinha já sido expressa pelo primeiro- ministro.
Entre 30 a 40 pessoas foram detidas e fonte da câmara municipal de Budapeste indicou que os danos materiais se elevam a 760.000 euros.
Numa altura em que chove na capital húngara e a cidade vive numa aparente calma, os principais canais de televisão passam ainda constantemente imagens das cenas de violência que se viveram até à madrugada de hoje, percorrem as ruas à procura das consequências e entrevistam jornalistas estrangeiros para perceber qual a imagem transmitida para o exterior dos acontecimentos da véspera.
Em destaque esteve também uma intervenção esta tarde no Parlamento do primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, acusando o líder da oposição de direita, Viktor Orban, de recorrer à extrema- direita para conseguir a sua demissão nas ruas.
"Palavras radicais provocam actos radicais. O líder da oposição ofereceu uma ideologia aos arruaceiros. A ligação é evidente", disse dirigindo-se ao líder da oposição, que viajou hoje para Estrasburgo e esteve segunda-feira ausente das cerimónias oficiais do 50 aniversário da revolta húngara de 23 de Outubro de 1956 contra a ocupação soviética do país, nas quais participou o Presidente da República português, Cavaco Silva.
A divisão que caracterizou as celebrações, expressa com violência nas ruas, está também patente nos principais jornais publicados hoje na Hungria.
O diário Népszabadság, de esquerda, titula na sua edição de hoje: "Violência e luta nas ruas no aniversário dos 50 anos de 1956".
"Conseguimos celebrar condignamente o aniversário da revolução ?", começa por perguntar o texto de abertura do periódico.
Para logo de seguida dar a resposta: "As comemorações transformaram-se numa batalha campal entre polícia e manifestantes, que começou na praça Kossuth, e põem em causa as palavras do Presidente da República no domingo (Laszlo Sólyom apelou numa cerimónia realizada nesse dia a que as comemorações fossem "uma verdadeira festa nacional)".
Já o Magyar Nemzet, de direita, prefere acentuar a brutalidade da polícia de choque nas diversas cargas que efectuou sobre os manifestantes, titulando: "Terror da polícia nas comemorações do aniversário de 1956".
"A polícia carregou ontem (segunda-feira) com uma brutalidade sem precedentes sobre os manifestantes, na celebração do 50 aniversário da revolução de 1956. Numa resposta às manifestações contra o governo, a polícia disparou balas de borracha e gás lacrimogéneo, apontando à cabeça dos manifestantes, além de utilizar canhões de água e forças a cavalo", pode ler-se.
Com fotografias a preto e branco dos acontecimentos da véspera, o mesmo jornal acrescenta: "os polícias investiram sobre a multidão sem olhar a quem, foram atacadas diversas pessoas na rua, incluindo idosos, ouviram-se gritos e viram-se pessoas ensanguentadas".
De resto, no Parlamento húngaro a actuação da polícia foi questionada pelos partidos de oposição, nomeadamente pelo Fidesz, acusando as forças da ordem de ter usado força desproporcionada e de ter atacado indiscriminadamente e descontroladamente, sem avaliar quem atingia.
Péter Gergényi, o principal responsável pela polícia da cidade húngara surgiu esta tarde nos canais televisivos admitindo que as forças anti-motim "actuaram duramente" mas "dentro do quadro legal" vigente no país. Opinião idêntica tinha já sido expressa pelo primeiro- ministro.