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"Bateria gigante" para armazenar energia renovável está debaixo dos nossos pés
Investigadores portugueses descobriram que as formações de rochas porosas subterrâneas podem armazenar energia em grande escala. "Energia renovável capaz de alimentar uma cidade", assegura o estudo do GeoBioTec, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa e do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
O armazenamento de longa duração é atualmente um dos maiores desafios da transição energética. As tecnologias para o conseguir são consideradas fundamentais, por exemplo, no restabelecimento da rede após falhas generalizadas. Como aconteceu em abril de 2025 com o apagão que “desligou” Portugal e Espanha.
Uma vez que o sol não brilha sempre e o vento não sopra de forma constante, a produção de energia renovável gera picos de produção. Esse “excesso” nem sempre é possível de absorver ou redirecionar de imediato. Por isso, surge a necessidade de armazenar energia durante dias ou meses.
Este estudo prova que os reservatórios geológicos porosos são uma alternativa às tecnologias que já existem de armazenamento.
“O estudo analisa, pela primeira vez e de forma sistemática, a influência da profundidade nas condições de armazenamento subterrâneo de energia. À medida que aumenta a profundidade, variam simultaneamente a pressão e a temperatura, fatores que condicionam diretamente a quantidade de energia que pode ser armazenada. Assim, as rochas irão funcionar como uma gigante bateria debaixo dos nossos pés.” afirma Ricardo Pereira, Investigador do GeoBioTec da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa. Os resultados mostram que os reservatórios geológicos podem atingir capacidades de armazenamento da ordem de 1 terawatt-hora (TWh). O suficiente para abastecer centenas de milhares de habitações.
“A dimensão do reservatório, a porosidade, a permeabilidade, os limites de pressão e as condições geotérmicas são fatores determinantes para a viabilidade técnica e económica destes sistemas”, defende a equipa portuguesa.
Além de demonstrar o elevado potencial destes resultados, a investigação sugere uma metodologia prática para apoiar a identificação e avaliação de reservatórios geológicos com características adequadas para futuros projetos de armazenamento subterrâneo de energia. Em 2025, Portugal registou 12 GWh de energia renovável não aproveitada por falta de capacidade de absorção do sistema. Isto significa que o país produz energia limpa que nem sempre consegue utilizar.
Construir baterias ou infraestruturas de grande porte exige investimentos avultados.
Até porque a eletricidade não se guarda diretamente no estado em que é produzida. Ela tem de ser transformada noutras formas de energia (química, mecânica ou térmica) para depois ser novamente convertida quando for necessária.
O artigo científico, intitulado “Impact of Depth-Dependent Geological Controls for Assessing Energy Capacity of Subsurface Compressed Air Energy Storage in Porous Media”, foi publicado na revista Geoenergy.