Beleza explosiva de xiita libanesa indigna conservadores

Após 16 meses sob a Presidência de um negro de nome Barack Hussein Obama, os Estados Unidos vêem-se agora representados por uma libanesa como expoente máximo da beleza americana. Rima Fakih tem 24 anos e vive nos Estados Unidos há 17, mas as suas origens muçulmanas estão numa localidade do Sul do Líbano e à sua família são apontadas ligações ao Hezbollah, movimento xiita libanês que Washington mantém na lista negra do terrorismo. Os conservadores não gostaram.

RTP /
Rima Fakih faz a defesa da tolerância, assinalando que a sua família celebra tanto a fé cristã como a muçulmana EPA

A noite de coroação da nova Miss América, no último domingo, não iria nunca passar despercebida às alas mais à direita da política norte-americana. A blogger Debbie Schlussel atirou para a rede com o título "Miss Hezbollah USA".

Esta analista política conservadora, presença habitual na televisão Fox, fala num dia triste para a América e lança sobre Rima Fakih todo o tipo de acusações, apontando mesmo a existência de ligações entre familiares da nova Miss com o Hezbollah, registando mais a partir do apelido do que de provas concretas, como assinalam outros analistas.

A Miss América nasceu em Srifa, vila próxima da cidade portuária de Tiro, no Sul do Líbano, depois de os pais ficarem encurralados pelos combates da guerra civil (1975-1990) quando se encontravam a caminho de casa, na capital Beirute. A família emigrava sete anos depois para os Estados Unidos, onde ela estudaria em escolas cristãs de Nova Iorque.

Rima Fakih, cuja vila natal foi bombardeada em 2006 durante a guerra entre Israel e o Hezbollah, faz a defesa da tolerância, assinalando que a sua família celebra tanto a fé cristã como a muçulmana, como aliás é frequente no Líbano.

Trata-se de um percurso que lembra a história pessoal do Presidente Obama, cujo pai era um economista queniano e a mãe uma antropóloga americana. Depois do divórcio dos pais, quando tinha dois anos, a mãe de Obama casa-se com um cidadão indonésio e o agora "líder do mundo livre" estuda até aos 10 anos em escolas de Jakarta, capital do país com mais larga fatia de muçulmanos (90 por cento de uma população de 230 milhões). Na altura da luta presidencial este foi um facto que os republicanos do GOP tentaram aproveitar, lançando para a confusão que Obama tinha sido educado numa madrassa, designação que pode ser entendida como de escola muçulmana.

Não há portanto nada de novo debaixo do Sol americano. Debbie Schlussel socorre-se de alegados dados dos serviços de informações apontando para três familiares de Fakih com cargos de direcção no Hezbollah, acrescentando que oito membros da família, parte da milícia, terão sido mortos em confrontos com Israel. Schlussel defende que a Miss América ela própria tem ligações aos xiitas libaneses.

Da mesma forma que Obama é o primeiro Presidente negro, Fatih é a primeira Miss América muçulmana. É este o facto que magoa a direita conservadora norte-americana. "É um dia triste para a América mas igualmente previsível, dada a actual concepção do politicamente correcto", lamenta Schlussel, advogada descendente de judeus polacos.

Contra a análise da conservadora, surgem fotos de Rima Fakih em lingerie provocante, alegadamente durante um concurso de strip, em 2007. Debbie Schlussed, cujas análises se focam no Islão e nos muçulmanos americanos, desvalorizou o facto de radicais xiitas como são os do Hezbollah, não permitirem em qualquer circunstância este tipo de comportamento às suas mulheres.
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