Bélgica. Alojamentos do Airbnb usados para esconder droga

Bélgica. Alojamentos do Airbnb usados para esconder droga

Uma rede de tráfico utilizava as reservas de curta duração para armazenar e embalar droga, esconder armas, dinheiro e pessoas.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Yannis Papanastasopoulos - Unsplash

As autoridades belgas anunciaram que há gangues a usar alojamentos do Airbnb como esconderijo de droga. A denúncia foi feita esta terça-feira por Ine Van Wymersch, a comissária nacional para o combate às drogas na Bélgica.

Numa entrevista ao jornal britânico The Guardian, a responsável por aquele órgão de polícia criminal explicou que, além de os espaços estarem a ser usados para armazenar e embalar a droga, utilizam também para esconder armas, dinheiro e pessoas.

As autoridades assumem que desconheciam a dimensão do problema mas chegaram à conclusão que os criminosos aproveitavam-se da flexibilidade da plataforma nas reservas de curto prazo para facilitar as operações de narcotráfico que envolve pessoas da Bélgica e do Reino Unido.

O crescimento do setor do comércio eletrónico ajudou "enormemente" a facilitar o crime organizado, adiantou Wymersch.

"Tu precisas de alguém para recolher uma carga no porto. Não sabes exatamente quando é que o navio vai chegar. Então, podes alugar por três dias um apartamento ou estúdio no Airbnb. É muito flexível. Se o navio não vier para Antuérpia [um dos principais portos da Bélgica], mas for para Marselha, podes fazer o cancelamento. É gratuito", exemplificou.
No início do mês, a Belga News Agency noticiou que a polícia belga apreendeu 3,3 quilos de cocaína e 4.845 euros num apartamento alugado pelo Airbnb, localizado no centro de Bruxelas. As autoridades acreditam que tenha sido usado para armazenar e embalar drogas.

Há dois anos, 11 pessoas também foram condenadas por estarem envolvidas numa megaoperação de tráfico de drogas que acontecia entre a Bélgica e o Reino Unido. Na altura, foi apreendida droga com um valor comercial de 21 milhões de euros
Airbnb diz que reservas criminosas são uma minoria

Face às afirmações proferidas por Wymersch ao jornal The Guardian, um responsável pela Airbnb na Bélgica recusou tecer comentários e remeteu as respostas para as declarações que foram dadas ao jornal belga De Staandard por Clément Eulry, gerente do Airbnb para a França e o Benelux.

"Essas reservas criminosas representam uma minoria ínfima entre os milhões que a empresa processa anualmente", esclareceu na altura Eulry. 

Trata-de se um caso "inaceitável" até porque, acrescenta, a empresa adota diversas medidas, incluindo o uso de inteligência artificial, para identificar reservas consideradas suspeitas.
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