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Bélgica. Alojamentos do Airbnb usados para esconder droga
Uma rede de tráfico utilizava as reservas de curta duração para armazenar e embalar droga, esconder armas, dinheiro e pessoas.
As autoridades belgas anunciaram que há gangues a usar alojamentos do Airbnb como esconderijo de droga. A denúncia foi feita esta terça-feira por Ine Van Wymersch, a comissária nacional para o combate às drogas na Bélgica.
Numa entrevista ao jornal britânico The Guardian, a responsável por aquele órgão de polícia criminal explicou que, além de os espaços estarem a ser usados para armazenar e embalar a droga, utilizam também para esconder armas, dinheiro e pessoas.
As autoridades assumem que desconheciam a dimensão do problema mas chegaram à conclusão que os criminosos aproveitavam-se da flexibilidade da plataforma nas reservas de curto prazo para facilitar as operações de narcotráfico que envolve pessoas da Bélgica e do Reino Unido.
O crescimento do setor do comércio eletrónico ajudou "enormemente" a facilitar o crime organizado, adiantou Wymersch.
"Tu precisas de alguém para recolher uma carga no porto. Não sabes exatamente quando é que o navio vai chegar. Então, podes alugar por três dias um apartamento ou estúdio no Airbnb. É muito flexível. Se o navio não vier para Antuérpia [um dos principais portos da Bélgica], mas for para Marselha, podes fazer o cancelamento. É gratuito", exemplificou.
No início do mês, a Belga News Agency noticiou que a polícia belga apreendeu 3,3 quilos de cocaína e 4.845 euros num apartamento alugado pelo Airbnb, localizado no centro de Bruxelas. As autoridades acreditam que tenha sido usado para armazenar e embalar drogas.
Airbnb diz que reservas criminosas são uma minoria
Face às afirmações proferidas por Wymersch ao jornal The Guardian, um responsável pela Airbnb na Bélgica recusou tecer comentários e remeteu as respostas para as declarações que foram dadas ao jornal belga De Staandard por Clément Eulry, gerente do Airbnb para a França e o Benelux.
"Essas reservas criminosas representam uma minoria ínfima entre os milhões que a empresa processa anualmente", esclareceu na altura Eulry.
Trata-de se um caso "inaceitável" até porque, acrescenta, a empresa adota diversas medidas, incluindo o uso de inteligência artificial, para identificar reservas consideradas suspeitas.