Bento XVI apela ao respeito da liberdade religiosa
O Papa Bento XVI lançou um novo apelo ao respeito da liberdade religiosa das minorias cristãs da Turquia durante uma missa celebrada em Istambul, no último dia da sua visita ao país.
A Igreja "não quer impor nada a ninguém, pede simplesmente para viver livremente para revelar o que não pode esconder: Jesus Cristo", afirmou durante a homilia, hoje, na Turquia, um país laico com 95 por cento de população muçulmana.
Bento XVI evocou ainda, por uma última vez, as relações entre a Turquia e a Europa, com uma referência à "história comum" entre as diferentes religiões no país.
"Como não pensar nos diferentes acontecimentos que forjaram aqui mesmo a nossa história comum", questionou, dirigindo-se aos representantes de "outras comunidades eclesiásticas e de outras religiões" presentes na cerimónia.
A liberdade religiosa foi o tema quente da viagem do Papa à Turquia, um país onde a liberdade de culto é garantida, mas é, no entanto, limitado o activismo das pequenas minorias cristãs, nomeadamente os ortodoxos.
A Turquia recusa conferir um estatuto legal ao patriarcado ecuménico ortodoxo de Constantinopla, tendo sido confiscados bens imobiliários que pertencem a fundações cristãs. Na quinta-feira, o Papa sublinhou que o respeito pela liberdade religiosa das minorias devia constituir um critério para a entrada da Turquia na União Europeia.
Antes de ser Papa, o cardeal Joseph Ratzinger, na altura uma das personalidades mais importantes do Vaticano, considerou que este país procedente do Império Otomano tinha "historicamente e culturalmente pouco a partilhar com a Europa", tendo classificado como "um grande erro" uma eventual integração da Turquia na União Europeia.