Bento XVI defendeu o celibato e criticou desvios sexuais edivórcio
O Papa Bento XVI defendeu hoje o respeito pelo celibato e criticou o que considera o "risco de desvios" sexuais e o divórcio, durante um encontro com os bispos brasileiros, na catedral de São Paulo.
Bento XVI salientou, no seu último compromisso antes de viajar para o Santuário da Aparecida, a 163 quilómetros de São Paulo, que o celibato é um dom que a Igreja Católica recebeu de seus fundadores e que precisa manter.
"Faço apelo ao vosso zelo sacerdotal e ao sentido de discernimento das vocações, também para saber complementar a dimensão espiritual, psico-afectiva, intelectual e pastoral em jovens maduros e disponíveis para o serviço da igreja", disse. O Papa realçou que "um bom e assíduo acompanhamento espiritual é indispensável para favorecer o amadurecimento humano e evitar o risco de desvios no campo da sexualidade".
Bento XVI voltou a salientar que os interesses individuais não podem ficar acima dos valores defendidos historicamente pela Igreja Católica, como o matrimónio.
"A vida social está a atravessar momentos de confusão desnorteadora.
Ataca-se impunemente a santidade do matrimónio e da família", afirmou.
Pela manhã, na missa de canonização do frei Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil, Bento XVI condenou os media que "ridicularizam" o matrimónio e a virgindade antes do casamento.
"O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem serem consideradas criaturas objecto de prazer", afirmou o Papa.
"É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimónio e a virgindade antes do casamento", disse.
No encontro com os bispos brasileiros, Bento XVI também voltou a condenar o aborto, como fez quarta-feira logo ao desembarcar em São Paulo, e criticou ainda o divórcio e as uniões fora do matrimónio.
"Justificam-se alguns crimes contra a vida em nome dos direitos da liberdade individual; atenta-se contra a dignidade do ser humano; alastra-se a ferida do divórcio e das uniões livres", condenou Bento XVI. O Papa criticou igualmente correntes da Igreja Católica que defendem um maior envolvimento do clero nos movimentos sociais e políticos, como a Teologia da Libertação, teoria que mistura cristianismo e marxismo.
"No seio da Igreja, quando o valor do compromisso sacerdotal é questionado como entrega total a Deus através do celibato apostólico e como disponibilidade total para servir às almas, dando-se preferência às questões ideológicas e políticas, inclusive partidárias, a estrutura da consagração total a Deus começa a perder o seu significado mais profundo. Como não sentir tristeza em nossa alma?", questionou.
Bento XVI orientou igualmente os bispos brasileiros a serem "fiéis servidores da palavra, sem visões redutivas e confusões na missão que nos é confiada".
"Não basta observar a realidade a partir da fé; é preciso trabalhar com o Evangelho nas mãos e fundamentados na correcta herança da tradição apostólica, sem interpretações movidas por ideologias racionalistas", disse.
Depois do encontro com os bispos brasileiros, Bento XVI seguiu para Aparecida, cidade que alberga o Santuário Nacional da Aparecida, onde ficará hospedado até domingo no Seminário Bom Jesus. No sábado, o Papa visitará um centro de recuperação de viciados em drogas, a Fazenda da Esperança, e rezará o terço na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, dedicada à virgem negra padroeira do Brasil.
O Papa presidirá domingo a abertura da Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e das Caraíbas (CELAM), regressando a Roma no fim do dia.
Com a participação de 176 bispos de 35 países, a CELAM prosseguirá até 31 de Maio, com o tema "Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que Nele os nossos povos tenham vida".