Bento XVI foi pontífice "controverso", com "dois pesos e duas medidas", considera Leonardo Boff
Rio de Janeiro, 11 fev (Lusa) - O teólogo brasileiro Leonardo Boff, uma das principais vozes da Teoria da Libertação no Brasil, classificou hoje o papa Bento XVI como um pontífice "controverso", acusando-o de atuar com "dois pesos e duas medidas".
"Bento XVI teve dois pesos e duas medidas. Tratava com luvas de pelica os reacionários seguidores de Lefebvre [movimento conservador católico que contesta algumas das mudanças do Concílio Vaticano II] e nós, da Libertação [doutrina católica de esquerda que defende a intervenção social dos católicos], a bastonadas", afirmou Boff na sua conta de Twitter, numa referência ao período em que Joseph Ratzinger dirigiu a Congregação para Doutrina da Fé.
Também pelo twitter, onde está a responder questões dos seus seguidores, Boff disse que Joseph Ratzinger foi um papa "controverso", que tentou "interpretar" o Vaticano "à luz da autoridade do Papa e não da Igreja do Povo de Deus".
No entanto, Boff admitiu ainda ter aprendido com Ratzinger, a quem chamou "teólogo brilhante", mas salientou que ele não trouxe nenhuma "novidade" para a Igreja.
O maior expoente da Teoria da Libertação no Brasil, Leonardo Boff foi condenado a um ano de "silêncio obsequioso" e deposto de suas funções ligadas ao ensino religioso em 1984, devido às questões colocadas à hierarquia católica no seu livro "Igreja: Carisma e Poder".
O processo que levou à sua condenação foi realizado pela Congregação para a Doutrina da Fé, então sob a direção de Joseph Ratzinger (Bento XVI).
A pena foi suspensa em 1986 mas, seis anos mais tarde, perante uma nova ameaça de punição feita por Roma, Boff renunciou às suas atividades de padre e desligou-se da Ordem Franciscana.
No Twitter, Boff começou por considerar que a renúncia de Bento XVI foi um "ato de razoabilidade" e "humildade".
"A renúncia do papa é um ato de razoabilidade. Humildemente deu-se conta dos limites da natureza que o impediam de exercer sua função. Foi digno", disse em sua primeira mensagem a respeito.
Entre os possíveis candidatos a assumir o cargo, Boff apontou Óscar Madariaga, das Honduras, como o seu preferido.
"Cinquenta e dois por cento dos católicos vive no Terceiro Mundo. Merecemos um Papa. O meu é Madariaga", destacou.
Leonardo Boff continua a exercer como professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).