Bergoglio pediu aos seus apoiantes que elegessem Ratzinger em 2005 revela El Mundo
Redação, 13 mar (Lusa) -- Quase oito anos depois do conclave que elegeu Joseph Ratzinger como sucessor de João Paulo II, o jornal espanhol El Mundo escreve que foi Jorge Bergoglio, então em segundo lugar, que acelerou esta escolha, retirando-se da corrida.
O argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, foi hoje eleito como sucessor de Bento XVI. É o 266.º papa da igreja católica e o primeiro natural do continente americano.
Na sua edição na Internet, o El Mundo escreve que no conclave de 2005, Jorge Bergoglio resolveu, à terceira votação, retirar-se, "mesmo estando perto o suficiente para desafiar a vitória de Ratzinger". Bento XVI foi eleito com 84 dos 115 votos possíveis.
O diário diz que o jornalista Marco Tosatti, vaticanista do jornal italiano La Stampa, soube, através de "fonte fidedigna", que Bergoglio "pediu aos seus apoiantes que se abstivessem de elegê-lo", acrescentando que o então cardeal de Buenos Aires fez o pedido "quase em lágrimas".
"É provável que o argentino nunca tivesse sido eleito no lugar de Bento XVI para a varanda de São Pedro, mas podia ter frustrado a candidatura de Ratzinger, precisamente porque os seus partidários lhe tinham concedido 40 sufrágios, muito menos do que os que reunia o colega alemão (72), mas, ao mesmo tempo, os suficientes para impedi-lo de alcançar o limite de dois terços com que se resolveria o `debate`", lê-se.
Tratava-se, acrescenta o diário, "de uma minoria de bloqueio, que tinha entre os seus instigadores a eminente figura cardinalícia do monsenhor Martini, jesuíta como Bergoglio, e discordante com a continuidade ideológica que implicava a eleição de Bento XVI em frente à igreja".