Bilionário sul-africano vai pagar Dividendo Natural à população da ilha do Príncipe
O bilionário sul-africano Mark Shuttleworth anunciou hoje que vai pagar um "Dividendo Natural" à comunidade da ilha do Príncipe, em contrapartida pelos seus esforços na conservação da natureza, alocando 15 milhões de euros para os primeiros três anos do projeto.
Segundo um comunicado da fundação Faya, pertencente a Mark Shuttleworth, o primeiro pagamento do "Dividendo Natural (um pagamento à comunidade por serviços à natureza)", será feito na segunda-feira, na Ilha do Príncipe, "marcando um momento histórico para a conservação da natureza e para o desenvolvimento socioeconómico local".
"Através desta iniciativa pioneira, Mark Shuttleworth, por intermédio da Faya, compromete-se a fazer um pagamento até um valor máximo anual de 20.000 dobras (aproximadamente 816 euros) a cerca de 3.000 adultos (o que corresponde a 60% da população adulta da ilha), em contrapartida pelos seus esforços na preservação da biodiversidade do Príncipe", lê-se no comunicado.
A Faya refere que, para os primeiros três anos do projeto, "encontram-se alocados cerca de 15 milhões de euros, estabelecendo as bases de um programa que se pretende perpétuo e com potencial de replicação noutras regiões do globo".
"O Dividendo Natural é um pagamento à comunidade por serviços à natureza e tem como objetivo criar um modelo económico que valoriza simultaneamente a preservação ambiental e a melhoria das condições de vida das comunidades locais, reconhecendo o papel fundamental das populações na proteção dos ecossistemas", refere a organização.
Além do pagamento aos habitantes da ilha do Príncipe, "a Faya está a analisar o investimento em infraestruturas, como sejam a exploração de uma nova pedreira, a construção de um porto na ilha, e a construção e disponibilização de habitação em zonas urbanas e suburbanas".
Segundo a organização, este projeto tem sido desenvolvido em estreita colaboração com o Governo Regional do Príncipe, cujo presidente, Filipe Nascimento, acredita que o investimento será "verdadeiramente transformador, tanto para a natureza como para as pessoas da ilha", sublinhando o seu potencial para reforçar a sustentabilidade, a coesão social e as oportunidades económicas locais.
No comunicado refere-se também que o CEO da Faya, Jorge Alcobia, destaca que os primeiros três anos funcionarão como fase piloto e "servirá de teste para o modelo".
Alcobia admite "ajustes ao longo do processo, garantindo que o equilíbrio entre conservação, impacto social e sustentabilidade financeira seja plenamente assegurado."
"O primeiro pagamento do Dividendo Natural representa assim um passo concreto na construção de uma economia regenerativa, reforçando o posicionamento da Ilha do Príncipe como referência internacional em inovação ambiental e social", lê-se no comunicado.
Mark Shuttleworth dedica-se ao desenvolvimento sustentável da ilha do Príncipe há mais de uma década, através do grupo HBD, que representa o maior investimento turístico nesta região autónoma de São Tomé e Príncipe e que foi declarada Reserva Mundial da Biosfera da Unesco em 2012.
Em outubro do ano passado, Mark Shuttleworth comunicou às autoridades regionais que decidiu cessar os investimentos e sair da ilha face a acusações de ações neocolonialistas, mas a saída não se concretizou e, segundo o Governo regional, as negociações para a continuação da HBD têm seguido em bom ritmo.