Birmânia considera "lamentável" inclusão na "lista negra" do tráfico humano
Rangum, 01 jul (Lusa) -- A Birmânia, que agora tem um Governo liderado pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, considerou "lamentável" que os Estados Unidos tenham colocado o seu país na "lista negra" do tráfico humano.
"É lamentável que o relatório de tráfico humano do Departamento de Estado norte-americano tenha degradado a classificação da Birmânia, do nível 2 para o nível 3, no preciso momento em que o novo Governo civil duplica os seus esforços para proteger os seus trabalhadores migrantes e as vítimas de tráfico de seres humanos e de trabalho forçado", diz um comunicado da diplomacia birmanesa, publicado hoje no jornal oficial Global New Light of Myanmar.
Os Estados Unidos acrescentaram a Birmânia -- e outros sete países -- à "lista negra" de nações que não estão a combater o tráfico de seres humanos, no relatório anual do Departamento de Estado, publicado na quinta-feira.
"Esperamos que possam ser tomadas medidas para garantir que as restrições associadas ao nível 3 não sejam um entrave à cooperação entre a Birmânia e os Estados Unidos", refere a diplomacia birmanesa, dirigida por Aung San Suu Kyi.
Washington destaca, no relatório, as violações dos direitos dos rohingya -- minoria muçulmana apátrida, considerada uma das mais perseguidas do planeta pelas Nações Unidas.
Os membros da comunidade rohingya "são particularmente vulneráveis ao tráfico com fins sexuais ou de mão-de-obra no estado Rakhine, incluindo ao trabalho forçado pelas autoridades", refere o documento.
Organizações de defesa dos direitos humanos saudaram a `despromoção` da Birmânia por considerarem que foi, por razões políticas, injustamente protegida da avaliação no relatório do ano passado.