Blocos operatórios encerrados em Barcelona depois de duas mortes
O Governo da Catalunha ordenou, como medida cautelar, o encerramento dos blocos operatórios do Hospital Evangélico de Barcelona depois da morte, numa semana, de duas pessoas que se submeteram a operações de cirurgia estética.
A última vítima é uma mulher de 44 anos, que se junta a uma outra de 33 anos, de Castelló, que morreu segunda-feira depois de fazer uma redução abdominal e uma intervenção aos seios.
Operadas por diferentes equipas médicos e em distintos blocos operatórios, a causa da morte das duas mulheres reside na formação de coágulos no sangue.
O executivo catalão estuda agora se os procedimentos cirúrgicos foram os mais adequados e se há alguma relação entre as duas mortes.
A primeira vítima, uma mulher de 33 anos de Castelló, morreu segunda-feira no Hospital Evangélico, depois de fazer uma lipo- aspiração e um aumento dos seios. A vítima pagou 13 mil euros.
A autópsia descarta a negligência médica e revelou que a morte deveu-se a uma hemorragia massiva, ou seja, à formação de coágulos no sangue. Sobre esta morte, a direcção do hospital alega que a jovem padecia de uma doença que agravava os riscos de qualquer intervenção.
A segunda vítima, segundo fontes do Hospital Evangélico, é uma catalã que morreu quinta-feira à tarde, minutos depois de cair "fulminada", quando abandonava o recinto do centro hospitalar, após ter recebido a alta médica.
O falecimento teve lugar um dia depois de se ter submetido a uma operação para redução da barriga. Segundo os primeiros resultados da autópsia, esta mulher poderia ter morrido em consequência de um trombo-embolismo pulmonar.
O director do Hospital Evangélico, Samuel Fabra, explicou aos jornalistas que a clínica se limita a arrendar os seus blocos operatórios a médicos externos e que, mensalmente, pratica-se ali, em média, uma dezena de operações daquele tipo.
A direcção do hospital decidiu abrir uma investigação interna para averiguar as duas mortes.
Por outro lado, a polícia autonómica da Catalunha, "Els Mossos d`Esquadra", também já está a investigar o sucedido, depois de ter remetido um relatório ao juiz instrutor.
Em declarações à agência Lusa, Maria Carme Sabater, da Coordenadora de Utilizadores da Saúde, aplaudiu a decisão governamental e disse esperar que as duas mortes sirvam para que se tenha em conta vários cuidados e procedimentos, antes de uma cirurgia estética.
No seu entender, o hospital tem de garantir aos seus pacientes não só resultados estéticos mas também segurança para a sua saúde e a sua vida, tanto no decurso do processo como no pós-operatório.
A Associação Defensor do Paciente pediu ao Ministério Público que investigue as duas mortes e garantiu que a Clínica Evangelista é dos centros sanitários com mais queixas relativamente ao resultado das operações estéticas.
Numa carta enviada ao MP, o defensor do doente assegura ser importante saber quais os instrumentos utilizados neste tipo de cirurgias, o grau de higiene, assim como a qualificação profissional dos médicos que praticam essas operações.
A Associação está a preparar uma queixa-crime contra o Hospital.
A Lusa tentou contactar a Associaçao Catalã de Estabelecimentos Sanitários, da qual é sócio o Hospital Evangélico, bem como a Ordem dos Médicos mas nenhum responsável quis comentar o sucedido, porque, alegam, "ainda" estão a recolher informação.