Bolsonaro bloqueia críticos em redes sociais

Bolsonaro bloqueia críticos em redes sociais

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem bloqueado seguidores que o criticam nas redes sociais, violando a liberdade de expressão e os direitos de acesso à informação e de participar do debate público, informou a Human Rights Watch (HRW).

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Bolsonaro bloqueia críticos em redes sociais D.R.-André Coelho

A organização não-governamental (ONG) internacional de defesa dos direitos humanos informou em comunicado que identificou 176 contas bloqueadas pelo presidente, a grande maioria na rede social Twitter, incluindo jornalistas, congressistas, influenciadores com mais de um milhão de seguidores e cidadãos.

Além disso, a ONG identificou o bloqueio de contas de órgãos de comunicação social e de organizações não-governamentais. O número total de bloqueios é provavelmente muito maior.

"O presidente Bolsonaro usa suas redes sociais como um importante meio de comunicação pública e de interação com a população", disse Maria Laura Canineu, diretora da HRW no Brasil.

"Mas ele está tentando eliminar de suas contas pessoas e instituições que dele discordam para transformá-las em espaços onde apenas aplausos são permitidos. É parte de um esforço mais amplo para silenciar ou marginalizar os críticos", acrescentou.

A ONG frisou que as pessoas bloqueadas precisam sair de suas contas nas redes sociais para ver as publicações de Bolsonaro, dificultando o acesso direto a informações do governo e não podem interagir com as publicações do presidente, seja "repostando", respondendo, gostando ou comentando.

"Isso impede que pessoas bloqueadas participem do debate público, viola a liberdade de expressão e as discrimina com base em suas opiniões", salientou a Human Rights Watch.

"Jornalistas bloqueados não podem fazer perguntas ou solicitar informações, infringindo a liberdade de imprensa", acrescentou a ONG.

A organização solicitou por meio de pedidos de acesso segundo a lei de informação os dados sobre as pessoas bloqueadas pelo governante brasileiro, mas a Secretaria de Comunicação da Presidência negou a informação, argumentando que não gere essas contas.

O presidente brasileiro tem quase sete milhões de seguidores no Twitter, 14 milhões no Facebook e mais de 18 milhões no Instagram e geralmente utiliza as suas redes sociais para fazer anúncios oficiais, para atacar seus adversários políticos e para comentar sobre relações exteriores, como, por exemplo, quando parabenizou o novo primeiro-ministro israelita por sua eleição.

Bolsonaro também responde a comentários de cidadãos sobre diversos assuntos, desde vacinas contra a covid-19 a nomeações políticas.

"O presidente Bolsonaro afirma que a liberdade de expressão dele e de seus seguidores é cerceada quando as plataformas excluem desinformação prejudicial e contas falsas, mas ele mesmo não pensa duas vezes antes de violar o direito ao acesso à informação e a liberdade de expressão das pessoas que discordam dele", concluiu Maria Laura Canineu.
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