Bolsonaro debaixo de fogo por ter sugerido "perdoar" o Holocausto

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A declaração do presidente brasileiro, no dia 11 de abril, sugerindo a possibilidade de se "perdoar" o Holocausto está a ser alvo de duras críticas em Israel.

Até à polémica da passada quinta-feira, o Governo brasileiro e o Governo israelita mantiveram uma relação muito próxima. No entanto, a declaração do ex-capitão do exército brasileiro gerou polémica em Israel.
Críticas israelitas
O presidente de Israel, Reuven Rivlin, reagiu no Twitter à afirmação: “Iremos sempre opor-nos aos que negam a verdade ou que querem apagar a nossa memória – sejam indivíduos, grupos, líderes partidários ou primeiros-ministros. Nós nunca vamos esquecer nem perdoar”.

O centro Yad Vashem, dedicado à memória das vítimas do Holocausto, também manifestou o seu desacordo perante a declaração. “Nenhuma pessoa tem o direito de determinar se os crimes hediondos do Holocausto podem ser perdoados”.

“Os únicos que poderiam perdoar [o Holocausto] seriam os seis milhões de mortos, o que, obviamente, não é possível. Se queremos construir uma sociedade que respeita a diversidade, teremos de deixar esta ferida aberta, sem perdão e sem esquecimento”, afirmou Michel Schlesigner, grande rabino da Congregação Israelita Paulista.
Bolsonaro justifica-se
Por sua vez, o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, publicou no Facebook uma mensagem de apoio ao presidente afirmando que Bolsonaro deixou claro o seu “repúdio” ao maior genocídio da História. “Em nenhum momento o presidente mostrou desrespeito ou indiferença pelo sofrimento judeu”, acrescentou.

Na quinta-feira, dia 11, durante um encontro com membros da Igreja evangélica no Rio de Janeiro, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro tinha afirmado que “podemos perdoar o Holocausto, mas não o podemos esquecer”.

O presidente brasileiro recordava a visita oficial a Israel e a sua passagem pelo Museu do Holocausto durante o encontro com membros da igreja evangélica. “Fui, mais uma vez, ao Museu do Holocausto. Nós podemos perdoá-lo, mas não o podemos esquecer”, afirmara Bolsonaro nessa ocasião.

Para reverter esta controvérsia, no sábado, o presidente brasileiro enviou uma carta à Embaixada do Brasil em Israel. Declarou que escreveu no livro de visitantes do Memorial do Holocausto: “Aquele que esquece o passado está condenado a não ter futuro”.

Mencionou ainda na carta que “o perdão é algo pessoal, nunca num contexto histórico como o caso do Holocausto, onde milhões de inocentes foram mortos num cruel genocídio”.

Bolsonaro afirmou que outra interpretação da sua afirmação interessa apenas às pessoas que o querem afastar dos seus “amigos judeus”.
“Ser humano perigoso”
Dias antes desta polémica, o prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, pediu ao Museu Americano de História Nacional, sediado no Central Park, que cancele o evento de 14 de maio em que o presidente de extrema-direita brasileiro é o convidado de honra.

Blasio afirmou que os planos de Bolsonaro para a exploração da Amazónia podem colocar em risco o planeta, assim como o seu racismo e a sua homofobia. “É um ser humano muito perigoso”, concluiu o prefeito.

O próprio museu procurou esclarecer que não tem qualquer responsabilidade na organização do evento, garantindo que o espaço foi alugado pela Câmara Brasileira do Comércio nos Estados Unidos antes de ser revelada a figura de destaque: “Este é um evento externo e privado que não reflete de forma alguma a posição do museu perante a necessidade urgente de conservar a Amazónia”.

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