Bolsonaro nega irregularidades na compra da vacina Covaxin

por Lusa
Bolsonaro recusa atos ilícitos na compra de vacina Joedson Alves - EPA

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, confirmou ter-se encontrado em março com o deputado Luis Miranda, que tem denunciado supostas irregularidades nas negociações da vacina Covaxin, mas negou haver corrupção no seu governo.

"Há essa onda toda aí: 'Agora apanhámos o governo Bolsonaro', 'corrupto', 'negociando vacina com 1.000% de sobrepreço'. Não vou entrar em muitos detalhes, não. Coisa tão ridícula. (...) Isso (conversa com Miranda) aconteceu em março. Quatro meses depois, ele resolve falar para desgastar o governo? O que ele quer com isso?", questionou Bolsonaro, na sua habitual transmissão em vídeo na rede social Facebook.

Na quarta-feira, o deputado federal Luis Miranda e o seu irmão Luis Ricardo Fernandes Miranda, que é funcionário do Ministério da Saúde brasileiro, divulgaram a meios de comunicação social que alertaram Bolsonaro pessoalmente sobre supostas irregularidades no contrato de compra da Covaxin, vacina contra o coronavírus desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech.

Segundo o jornal Estado de S.Paulo, que teve acesso a documentos do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro comprou a Covaxin por um preço 1.000% mais caro do que, seis meses antes, era anunciado pelo fabricante.

Por essa razão, parlamentares da oposição acusaram o governo de corrupção, acusações negadas por Bolsonaro.

"Corrupção, pessoal? Não gastámos um centavo, não recebemos uma dose. Que corrupção é essa? Assim como o Luis Miranda esteve aqui, podia ligar para mim. (....) Foi uma coisa que aconteceu, mas ele não falou nada de corrupção em andamento. Passaram-se quatro, cinco meses depois que ele conversou comigo. Conversou, sim, não vou negar", disse Bolsonaro.

O governo brasileiro firmou um contrato no valor de 1,6 mil milhões de reais (cerca de 270 milhões de euros) para a aquisição de 20 milhões de doses da vacina indiana em 25 de fevereiro. Porém, os prazos previstos de entrega do produto estão atrasados e o órgão regulador do Brasil só aprovou no dia 4 de junho a sua importação com restrições.

A aquisição da Covaxin foi a única realizada pelo governo do Brasil de forma indireta, ou seja, através de uma empresa intermediária, a Precisa Medicamentos.

"Vou deixar bem claro que, em março deste ano, os auditores do TCU (Tribunal de Contas da União) não viram indícios de sobrepreço na vacina Covaxin. (...) Se tiver roubalheira no meu governo, num Ministério qualquer, pode haver, se Deus quiser não vai ter (...). A gente vai tomar as providências. (...) Vai ser apurado e com toda a certeza, quem buscou armar, vai-se dar mal", frisou.

Novo ataque à Coronavac

Na sua habitual transmissão no Facebook, Bolsonaro voltou a colocar em causa a eficácia da Coronavac, vacina da chinesa Sinovac, que é produzida em São Paulo, estado do seu rival político, João Doria.

"Vocês estão vendo que essa vacina, a Coronavac, está com problemas em alguns países do mundo, como por exemplo Chile, entre outros. No Brasil, não está sendo diferente", disse o chefe do executivo.

Bolsonaro disse ainda que os cidadãos já vacinados com a Coronavac e que, posteriormente, foram infetados, devem procurar o que chamou de "tratamento preventivo", referindo-se a um conjunto de medicamentos sem eficácia contra a covid-19, dos quais é um forte defensor.
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