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Bolsonaro refere Angela Merkel para renovar críticas ao confinamento

O presidente do Brasil destacou o exemplo da chanceler alemã para renovar as críticas aos confinamentos e outras medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores para conter a covid-19.

Lusa /
Jair Bolsonaro fez referência a Merkel para criticar o confinamento D.R.-Sérgio Lima

"Fiquei surpreso esta semana com uma declaração de Angela Merkel, que cancelou um confinamento previsto para a Semana Santa, fez um 'mea culpa' e disse que foi um erro", disse Jair Bolsonaro, na quinta-feira, na habitual transmissão em vídeo na rede social Facebook.

Bolsonaro referia-se à decisão anunciada pela chanceler alemã, na quarta-feira, de cancelar a suspensão de atividades marcada entre a quinta-feira Santa e a segunda-feira de Páscoa, proibia concentrações públicas e obrigava a encerrar quase todo o comércio.

O chefe de Estado brasileiro, crítico de medidas de isolamento social, garantiu que "um jornal", que não citou, "escreveu que isso mostra uma capacidade de reflexão e que isso seria desejável para outros governantes do mundo".

O líder brasileiro declarou que, na semana passada, visitou uma comunidade pobre na periferia de Brasília e ouviu "histórias muito tristes", viu frigoríficos vazios e "pessoas forçadas a ficar em casa: "agora eles não ganham nada ou perderam os seus empregos".

"É uma situação bastante complicada, já que a comida está quase a acabar e isso se reflete em muitas comunidades afetadas por essa política do 'fique em casa', que já lançou muita gente na miséria", disse.

Coerente com as suas ideias

Bolsonaro não referiu o enorme aumento do número de mortes e casos da covid-19 registados nas últimas semanas no Brasil, que somou 303.462 mortes e mais de 12,3 milhões de infeções desde o início da pandemia, de acordo com os últimos dados oficiais.

Ainda assim, reiterou os esforços do governo para adquirir vacinas, embora tenha esclarecido que a morosidade do processo de imunização e a falta dos antídotos necessários não são um "problema exclusivo" do Brasil.

Bolsonaro deu o exemplo da UE ou o Japão, também atrasados nas campanhas de vacinação e sublinhou que o Brasil, ao contrário de muitos outros países, em "dois ou três meses" estará em condições de desenvolver plenamente uma vacina brasileira.

O chefe de Estado também reviu as medidas adotadas pelo governo para garantir o fornecimento de material médico em falta nos hospitais para procedimentos de intubação de pacientes graves e negou que haja uma escassez generalizada, como denunciam alguns sindicatos médicos.

"Buscamos os consumíveis necessários e esperamos que agora sejam suficientes. Há uma corrida muito grande (...) e esperamos ter os necessários", disse.

Orçamento de Estado e a Saúde

O Congresso brasileiro aprovou também na quinta-feira a proposta de lei do Orçamento da União para este ano, prevendo 125 mil milhões de reais (18,78 mil milhões de euros) para a Saúde.

Em 2020, o orçamento da Saúde previa 121 mil milhões de reais (18,18 mil milhões de euros), mas os gastos acabaram por ultrapassar 160 mil milhões de reais (24 mil milhões de euros), o que foi possível graças a projetos de crédito aprovados pelo Congresso, o que poderá voltar a ocorrer em 2021 caso necessário, indicaram parlamentares da base do governo.

"Aumentamos o dinheiro para a Saúde e a Educação, garantimos os recursos para investigação da vacina brasileira, que vai acontecer ainda neste ano, e mais de 20 mil milhões de reais (três mil milhões de euros) para o governo Federal continuar a comprar vacinas", afirmou o senador Marcio Bittar ao destacar, também, a garantia de recursos para impedir a paralisação de obras fundamentais de infraestruturas.

Apesar da aprovação, a oposição do governo criticou cortes em diversas áreas sociais, frisando que a situação de crise humanitária causada pela pandemia da covid-19 exigia mais investimentos no país.
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