Bolsonaro tem máquina executiva quase pronta

Começa a tomar forma a máquina governativa de Jair Bolsonaro, vencedor das eleições de 28 de Outubro e presidente-eleito do Brasil. Nestas semanas desde a vitória sobre Fernando Haddad e o Partido dos Trabalhadores, foram vários os nomes soprados para determinada imprensa, um balão de ensaio onde mereceu críticas a ausência de mulheres na equipa que Bolsonaro estaria a finalizar.

RTP /
Adriano Machado, Reuters

O empresário Paulo Guedes, homem da Escola de Chicago, deverá capitanear o Ministério da Economia, na verdade um super-ministério que agregará as pastas das Finanças, Indústria, Comércio e Planeamento.

Podendo ser de Paulo Guedes o toque de caixa da política ultra-liberal desejada pelo novo presidente, não é contudo o ministro da Economia a grande estrela da Administração Bolsonaro. Esse papel estaria, de acordo com alguns media, previamente reservado a Sérgio Moro, o juiz que conduziu o processo Lava Jato e colocou o antigo presidente Lula da Silva na prisão, o que impediu o Partido dos Trabalhadores de lançar o seu grande trunfo nas presidenciais.

Moro assumirá o cargo de ministro da Justiça, tendo ainda a cargo o departamento da segurança pública.

Para chefe de gabinete, Bolsonaro escolheu Onyx Lorenzoni, veterinário e deputado dos Democratas (centro-direita), a quem caberá a delicada função de fazer a ligação do Palácio do Planalto com um Congresso pulverizado em três dezenas de partidos.

Tereza Cristina da Costa, apontada ao Ministério da Agricultura, um ponto sensível da governação, surge também para preencher a quota feminina num plano de governo que já estava sob fogo dos sectores mais feministas face à ausência de mulheres na equipa de Bolsonaro, que da sua parte nunca escondeu ver na mulher uma vocação subalterna.

São várias as declarações em que o futuro presidente brasileiro assume que não só as mulheres não representam o que de melhor existe na Humanidade, como também devem ser pagas abaixo do que é o salário estabelecido para um homem na mesma função.

Neste departamento, atacado de todos os lados, por ambientalistas e pelo lobby dos grandes latifundiários, Bolsonaro teve de fazer uma outra concessão e desistir da fusão da Agricultura e ambiente num só ministério.

Um dos lugares que está ainda por decidir é o de chefe da diplomacia brasileira. O novo ministro dos Negócios Estrangeiros terá uma tarefa gigantesca pela frente, face à inabilidade de Bolsonaro no campo das relações externas, pelo que a escolha deverá recair sobre um profissional experiente entre os mais altos quadros da diplomacia. Sinal dessa inabilidade é a forma desastrosa como tratou a questão da embaixada brasileira em Israel.

No espaço de uma semana moveu-a de Telavive para Jerusalém, para voltar atrás – após um sinal pouco amigável do Egipto, que dizem poderia vir a baralhar as contas da exportação de carne brasileira – e voltar a colocá-la de onde possivelmente não voltará a sair, em Telavive.

Entretanto, sabe-se também que Augusto Heleno, saído de um grupo de generais na reforma, será o conselheiro nacional para a segurança e Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro no espaço, ficará à frente da Ciência e da Tecnologia.
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