Bolsonaro visita Israel sem se comprometer com Embaixada em Jerusalém

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, dias antes da sua visita oficial a Israel, disse que há a possibilidade de o Governo abrir um “escritório comercial" em Jerusalém, avançou a Reuters.

RTP /
Leo Correa, Reuters

Bolsonaro viaja no domingo para Israel, para reunir com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

A visita de Bolsonaro a Israel ocorre em plena campanha eleitoral do primeiro-ministro. Segundo o embaixador de Israel no Brasil entre 2011 e 2014, Raphael Eldad, esta visita serve para Netanyahu demonstrar que tem fortes alianças internacionais, antes das eleições de 9 de abril.

Um dos assuntos a ser discutido nesta visita oficial é a possibilidade de transferência da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém.
O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Brasil, Ernesto Araújo, afirma que o Governo ainda está a “estudar” esta possibilidade.

Assim como o Brasil, vários outros países – República Checa, Lituânia e Austrália – manifestaram interesse em transferir as suas Embaixadas para Jerusalém, seguindo o exemplo dos Estados Unidos e da Guatemala.
Risco de conflito
Jerusalém é disputada entre palestinianos e israelitas. Para evitar o agravamento da situação, vários países consideram Telaviv como capital administrativa de Israel, onde se localizam as representações diplomáticas internacionais, nomeadamente a do Brasil.

Bolsonaro, durante a sua campanha eleitoral e depois de ter sido eleito presidente, prometeu a transferência da Embaixada brasileira para Jerusalém, seguindo o exemplo do presidente norte-americano, Donald Trump.

No entanto, o embaixador palestiniano em Brasília, Ibrahim Alzeben, disse na terça-feira que uma eventual transferência da Embaixada seria uma “agressão desnecessária”.

Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, os 22 países árabes são dos maiores parceiros comerciais do Brasil. Desta forma, o setor agrícola brasileiro é contra a mudança da Embaixada, uma vez que isso pode ser prejudicial para as relações comerciais entre o Brasil e o Médio Oriente.
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