Num documentário da BBC, o antigo primeiro-ministro britânico Boris Johnson afirma que o presidente russo, Vladimir Putin, o ameaçou com um ataque de míssil durante uma chamada telefónica, em vésperas da invasão da Ucrânia.
Boris Johnson alega ter sido ameaçado por Vladimir Putin com míssil
Para compor a linha do tempo dos factos na véspera da invasão russa, em entrevista, Johnson revela que a chamada que recebeu de Putin aconteceu um dia depois de se ter encontrado com Volodymyr Zelensky em Kiev.
Durante a conversa, foi aflorado o contexto de escalada belicista e Johnson afirma que advertiu para o efeito de "catástrofe total", caso a Rússia invadisse a Ucrânia.
Alertou Putin para o impacto das sanções ocidentais a Moscovo e ainda tentou dissuadi-lo de qualquer ação militar, argumentando que a Ucrânia não se juntaria à NATO "num futuro previsível".
O presidente Putin estava "muito à vontade" durante o “mais extraordinário telefonema” que Johnson disse ter recebido.
Provavelmente, nunca se saberá se a ameaça era genuína, mas foi prudente da parte do então primeiro-ministro britânico não relativizar as palavras de Putin.
"Nunca mais seremos humilhados"
Semana e meia depois, a 11 de fevereiro, o secretário britânico da Defesa, Ben Wallace, voou para Moscovo para se encontrar com o homólogo russo, Sergei Shoigu.
Semana e meia depois, a 11 de fevereiro, o secretário britânico da Defesa, Ben Wallace, voou para Moscovo para se encontrar com o homólogo russo, Sergei Shoigu.
De acordo com o documentário da BBC, Wallace partiu com garantias de que a Rússia não invadiria a Ucrânia, mas tinha consciência que ambos os lados sabiam ser mentira.
Wallace descreveu essa pressão como uma "demonstração de intimidação ou força, que é: vou mentir-te, tu sabes que estou a mentir e eu sei que tu sabes que estou a mentir e mesmo assim vou continuar a mentir”.
"Acho que era uma afirmação para dizer sou poderoso", acrescentou Wallace.
Perante a "mentira bastante arrepiante, mas direta", o governante britânico confirmou o que pensava: a Rússia preparava-se para invadir a Ucrânia.
Ao sair da reunião, Wallace recorda que o general Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior da Rússia, lhe disse: "Nunca mais seremos humilhados".
Na madrugada de 24 de fevereiro, Johnson recebeu um telefonema do presidente Zelensky com o anúncio da invasão. “Ele disse-me que eles estavam a atacar em toda a parte", relembra Johnson, acrescentando: "Zelensky é muito, muito calmo".
Reiterou a oferta ao presidente da Ucrânia para o levar para locar seguro mas Zelensky não aceitou. “Ele heroicamente ficou onde estava”, sublinhou Johnson.
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