Mundo
BP admite responsabilidades
A British Petroleum (BP) admitiu ontem grande parte das responsabilidades na maré negra que desde 20 de Abril assola a costa ocidental dos Estados Unidos. Não o fez inteiramente por iniciativa própria, porque o presidente Barack Obama lhe tinha apontado no domingo um dedo acusador: "A BP é responsável por esta fuga; a BP pagará a factura".
A BP comprometeu-se a pagar os custos da contenção e limpeza da maré negra, bem como os prejuízos patrimoniais e danos pessoais que sejam credivelmente provados. Cabem-lhe, segundo admitiu, responsabilidades pela fuga de Deepwater Horizon, que já libertou no fundo do mar quase 10 milhões de litros de crude desde o dia 20 de Abril.
Mas, se lhe cabem essas responsabilidades como titular da exploração em que ocorreu o acidente, a BP foi também dizendo que a falha no equipamento é da alçada duma sub-contratante sua, a Transocean. Esta fez saber pelo seu porta-voz Guy Cantwell, citado pela cadeia Al Jazeera, que aguarda um inquérito para se pronunciar.
Os custos económicos, sociais e ambientais da maré negra são difíceis de calcular, especialmente num momento em que a fuga ainda não foi controlada e alguns dos processos utilizados para controlá-la têm vindo a falhar.
O director executivo da BP, Tony Hayward, admitiu nomeadamente que os dispersores químicos usados para impedir a vinda do petróleo à superfície têm sido ineficazes. E é uma incógnita o que poderá fazer contra a maré negra o sistema de sifão submarino que a BP está agora a experimentar para desviar o jacto de crude.
Também a acção das barreiras de retenção do crude tem sido severamente limitada pelas más condições atmosféricas e pela forte ondulação que neste momento se faz sentir.
Um outro processo, destinado a reter o óleo no fundo, implica colocar no fundo do mar caixas de betão com 74 toneladas e poderá tardar mais seis a oito dias até estar operacional. Entretanto, a fuga de petróleo para o Golfo do México agravar-se-á em mais uns 3,8 milhões de litros.
Na pior das hipóteses, o poço de petróleo submarino poderá continuara a jorrar por vários meses, até que um outro poço seja aberto para reduzir a pressão da saída. Na melhor das hipóteses, a de ser controlado dentro de uma semana, manter-se-ão durante muito mais tempo as consequências económicas, sociais e ambientais da catástrofe.
O paradigma do Exxon ValdezAinda hoje se mantêm muitas das consequências da maré negra causada em 1989 pelo petroleiro Exxon Valdez. Morreu a antes florescente indústria do arenque e despovoaram-se as águas do Alaska de salmões e de orcas.
Emilie Surrusco, porta-voz da Associação de Defesa da Vida Selvagem no Alaska, citada pela agência France Press, confessa-se desesperada diante da actual maré negra no Golfo, porque aí se repetem muitas cenas que testemunhou em 1989.
Do caso do Exxon Valdez, para além das espécies já citadas, resultaram 250.000 aves marinhas mortas, 2.800 leões do mar, 300 focas 22 orcas e muitos outros.
Mas o pior, diz à mesma France Press o conselheiro regional Stan Jones, é o que sucedeu com as pessoas: "Os danos humanos são os mais difíceis de ver, porque se desenvolvem mais tarde".
As comunidades, segundo explica um sociólogo da Universidade do Alabama, Steve Picou, desmoronaram-se, bem como as estruturas familiares, submergidas por fenómenos quase inéditos até aí, de alcoolismo e de violência doméstica.
Resta a vaga esperança de que a maré negra do Golfo não chegue a atingir os 41 milhões de litros de crude derramados no naufrágio do Exxon Valdez - embora se encaminhe rapidamente para ordens de grandeza muito próximas.
Mas, se lhe cabem essas responsabilidades como titular da exploração em que ocorreu o acidente, a BP foi também dizendo que a falha no equipamento é da alçada duma sub-contratante sua, a Transocean. Esta fez saber pelo seu porta-voz Guy Cantwell, citado pela cadeia Al Jazeera, que aguarda um inquérito para se pronunciar.
Os custos económicos, sociais e ambientais da maré negra são difíceis de calcular, especialmente num momento em que a fuga ainda não foi controlada e alguns dos processos utilizados para controlá-la têm vindo a falhar.
O director executivo da BP, Tony Hayward, admitiu nomeadamente que os dispersores químicos usados para impedir a vinda do petróleo à superfície têm sido ineficazes. E é uma incógnita o que poderá fazer contra a maré negra o sistema de sifão submarino que a BP está agora a experimentar para desviar o jacto de crude.
Também a acção das barreiras de retenção do crude tem sido severamente limitada pelas más condições atmosféricas e pela forte ondulação que neste momento se faz sentir.
Um outro processo, destinado a reter o óleo no fundo, implica colocar no fundo do mar caixas de betão com 74 toneladas e poderá tardar mais seis a oito dias até estar operacional. Entretanto, a fuga de petróleo para o Golfo do México agravar-se-á em mais uns 3,8 milhões de litros.
Na pior das hipóteses, o poço de petróleo submarino poderá continuara a jorrar por vários meses, até que um outro poço seja aberto para reduzir a pressão da saída. Na melhor das hipóteses, a de ser controlado dentro de uma semana, manter-se-ão durante muito mais tempo as consequências económicas, sociais e ambientais da catástrofe.
O paradigma do Exxon ValdezAinda hoje se mantêm muitas das consequências da maré negra causada em 1989 pelo petroleiro Exxon Valdez. Morreu a antes florescente indústria do arenque e despovoaram-se as águas do Alaska de salmões e de orcas.
Emilie Surrusco, porta-voz da Associação de Defesa da Vida Selvagem no Alaska, citada pela agência France Press, confessa-se desesperada diante da actual maré negra no Golfo, porque aí se repetem muitas cenas que testemunhou em 1989.
Do caso do Exxon Valdez, para além das espécies já citadas, resultaram 250.000 aves marinhas mortas, 2.800 leões do mar, 300 focas 22 orcas e muitos outros.
Mas o pior, diz à mesma France Press o conselheiro regional Stan Jones, é o que sucedeu com as pessoas: "Os danos humanos são os mais difíceis de ver, porque se desenvolvem mais tarde".
As comunidades, segundo explica um sociólogo da Universidade do Alabama, Steve Picou, desmoronaram-se, bem como as estruturas familiares, submergidas por fenómenos quase inéditos até aí, de alcoolismo e de violência doméstica.
Resta a vaga esperança de que a maré negra do Golfo não chegue a atingir os 41 milhões de litros de crude derramados no naufrágio do Exxon Valdez - embora se encaminhe rapidamente para ordens de grandeza muito próximas.