Bolsonaro ganha nos Estados mais ricos e impulsiona PSL

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Jair Bolsonaro conquistou quase 50 milhões de votos enquanto Fernando Haddad superou os 30 milhões de votos
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O Partido Social Liberal (PSL) beneficiou da dinâmica do candidato presidencial Jair Bolsonaro, que obteve 46 por cento dos votos na primeira volta das eleições brasileiras. O PSL conquistou resultados históricos nas eleições de domingo: passou de oito para 52 eleitos para a Câmara dos Deputados e elegeu novos senadores. A análise aos resultados das eleições no Brasil permitem recolher dados sobre os padrões de votação.

Cento e quarenta e sete milhões de brasileiros foram este domingo às urnas para escolher um novo Presidente, membros do Parlamento (Câmara dos Deputados e Senado), bem como governadores e legisladores regionais em todo o país.

O escrutínio para decidir o nome do sucessor de Michel Temer está marcado para 28 de outubro e a eleição vai ser discutida entre o antigo capitão do Exército Jair Bolsonaro, que alcançou 46,03 por cento dos votos, e o antigo presidente da Câmara de São Paulo Fernando Haddad, que chegou aos 29,28 por cento.

No entanto, os resultados das eleições de domingo permitem outras leituras, entre as quais se inclui a penalização do Partido dos Trabalhadores, o aumento do número de deputados conservadores e a fragmentação do Congresso.

Uma análise aos resultados eleitorais permite concluir que Bolsonaro recolheu mais votos em municípios com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), isto é em localidades com rendimento bruto mais elevado, maior esperança média de vida e nível de escolaridade mais alto. Já Fernando Haddad foi captar a sua base eleitoral aos municípios mais pobres.

Este padrão verifica-se por todo o Brasil. Mesmo em regiões consideradas mais pobres, como o Nordeste, onde o candidato da extrema-direita teve uma votação proporcionalmente menor, Bolsonaro conseguiu melhores resultados nos municípios mais ricos.

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, que cita como valores de referência números de IDH datados de 2010, Bolsonaro obteve 14 por cento dos votos nos municípios de Pernambuco com menor qualidade de vida e o dobro nos municípios mais ricos. No Maranhão, Bolsonaro registou 27 por cento nas cidades com IDH mais elevado e 13 por cento nos municípios com menor IDH.

No mesmo sentido, Fernando Haddad recolheu 15 por cento dos votos nos concelhos mais ricos de Santa Catarina e 33 por cento nos municípios mais ricos do mesmo Estado. Já Bolsonaro registou 67 por cento nas cidades ricas e 50 por cento nas mais pobres. Em São Paulo, o Estado mais rico e populoso do Brasil, Haddad alcançou 22 por cento dos votos nas localidades com menor IDH e 13 por cento nas mais pobres.
Abstenção superior a 20 por cento
O voto é obrigatório no Brasil, mas um em cada cinco brasileiros não votou na primeira volta das eleições presidenciais, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral.

Ao todo, 29,9 milhões de brasileiros não comparecerem às urnas, o que resultou numa taxa de abstenção de 20,3%, a mais elevada desde as eleições de 2002.

Os eleitores que não votaram têm que justificar a ausência no prazo de 60 dias, a partir da data da primeira volta, devendo a justificação ser alvo de análise por um juiz eleitoral.

Caso a ausência não seja justificada ou o juiz não aceitar a justificação, o eleitor deverá pagar uma multa de 3,61 reais (81 cêntimos) por cada votação em que não compareceu. Os brasileiros que deixem de votar em três atos consecutivos ficam com o título eleitoral cancelado.

O voto em branco nas Presidenciais foi de 2,7 por cento e os votos nulos 6,1 por cento.
Congresso brasileiro mais dividido
Formado pela Câmara dos Deputados (câmara baixa) e pelo Senado (câmara alta), o Congresso vai ficar mais fragmentado a partir de janeiro de 2019, quando os deputados agora eleitos tomarem posse.

O número de partidos com representação na Câmara dos Deputados passa dos atuais 25 para 30. O Partido Social Liberal (PSL) beneficiou da dinâmica do candidato presidencial Jair Bolsonaro, que se filiou no partido no início do ano com a garantia de participar na corrida ao Palácio do Planalto, e conseguiu subir de oito para 52 deputados.

O PSL será a segunda força política na Câmara dos Deputados, apenas atrás do Partido dos Trabalhadores (PT), que terá menos cinco parlamentares, no total de 56.

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) foram as formações que mais representantes perderam na câmara baixa, já que as bancadas passaram de 49 para 29 e de 51 para 33 deputados, respetivamente.

No Senado, o número de partidos passou de 16 para 21, com a eleição de novos senadores por partidos até aqui sem representação: Partido Social Liberal (PSL), Partido Republicano da Ordem Social (Pros), Solidariedade, Partido Republicano Progressista (PRP) e o Partido Humanista da Solidariedade (PHS).

O MDB vai continuar a ser a maior bancada do Senado, apesar da redução significativa de 18 para 11 assentos. Depois destas eleições, a segunda maior bancada do Senado é a do PSDB, que passa de 12 para oito senadores.

A bancada do PT regista a maior redução, ao ficar com seis dos 12 atuais senadores. Apesar de liderarem nas sondagens, a ex-Presidenta Dilma Rousseff e o candidato Eduardo Suplicy saíram derrotados e não conseguiram ser eleitos para o Senado.
PSL elege em São Paulo próximos de Bolsonaro; Tiririca é reeleito
A onda conservadora protagonizada por Jair Bolsonaro teve consequências também no aumento do número de votos dos eleitos pelas listas do PSL.

A jurista e professora candidata à Assembleia Legislativa de São Paulo Janaína Paschoal conquistou mais de dois milhões de votos, um número recorde de votos a nível nacional. Com 44 anos, Janaína Paschoal foi uma das autoras do pedido de 'impeachment' da ex-Presidente Dilma Rousseff e obteve ainda mais votos do que o candidato a deputado federal mais votado.

Eduardo Bolsonaro, filho do candidato presidencial, foi o recordista no número de votos para deputado federal, ao obter mais de 1,8 milhões de votos. Outra aliada de Bolsonaro, a ex-repórter Joice Hasselman conquistou mais de um milhão de votos e também foi eleita deputada federal.

Bolsonaro e Hasselman terão como companheiro de bancada Alexandre Frota, ex-ator de novelas e filmes para adultos e realizador e participante em reality shows, que alcançou mais de 150 mil votos no estado de São Paulo, nas listas do PSL. Bolsonaro chegou a sugerir o nome de Frota para ministro da Cultura num eventual governo. Devido às repercussões, o candidato à Presidência recuou, até porque pretende extinguir a pasta.

Depois de ter sido apontado como eventual vice-presidente de Jair Bolsonaro, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, descendente da família real brasileira e primo afastado do herdeiro do trono português, foi eleito nas listas do PSL para deputado federal pelo Estado de São Paulo, após ter recebido 116 mil votos.

Aos 64 anos, também do partido de Bolsonaro, o general Sebastião Peternelli vai integrar a bancada paulista da Câmara dos Deputados, após ter recolhido 73 mil votos.

Seguindo o mote que criou em 2010 “pior que tá não fica”, o humorista eleito deputado federal Tirica desistiu da anunciada pausa na carreira política e foi reeleito para um terceiro mandato por São Paulo. Depois de ter anunciado a decisão de não disputar mais cargos públicos por “vergonha do que eu vi nestes sete anos aqui. Estou dececionado com a política brasileira”, Francisco Everardo Oliveira Silva, do Partido da República, foi eleito com quase 450 mil votos.

Tópicos:

Alexandre Frota, Brasil, Congresso, Eduardo Bolsonaro, Eleições Presidenciais, Fernando Haddad, Jair Bolsonaro, Janaína Paschoal, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, PSL, PT, Sebastião Peternelli, Tiririca, Índice de Desenvolvimento Humano,

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