Brasil contribui para redução da fome na América Latina
Londres, 27 mai (Lusa) - O Brasil foi um dos países que contribuiu para a forte redução da fome na América Latina ao cumprir o objetivo de reduzir para metade o número de pessoas subalimentadas, segundo um relatório anual da ONU divulgado hoje.
Juntamente com os lusófonos Angola e Moçambique, o Brasil foi um dos 29 países que conseguiram atingir ambas as metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) de reduzir para metade a prevalência de desnutrição até 2015 e da Cimeira Mundial da Alimentação de 1996, quando os governos se comprometeram a reduzir para metade o número absoluto de pessoas subnutridas até 2015.
Segundo o relatório, o número de brasileiros desnutridos decresceu mais de 50% comparando com os 22,6 milhões de 1990-92, embora não seja indicado o número atual.
A América Latina foi a região com melhor desempenho, tendo reduzido naquele período o número de subnutridos em 48%, de 66,1 milhões para 34,3 milhões.
A taxa de subalimentação no Brasil é atualmente inferior a cinco por cento, resultado, segundo o documento, do crescimento económico do país e também de uma maior participação das mulheres no mercado laboral.
O relatório refere que o aumento da taxa de mulheres empregadas, de 45% em 1990-94 para 60% em 2013, tem incidência na segurança alimentar pois o rendimento feminino é mais frequentemente utilizado em comida e nutrição, mas também em saúde, saneamento e educação, do que quando o orçamento familiar é controlado pelo homem.
Outro fator para a redução da fome, acrescenta, foi o programa estatal Fome Zero introduzido pelo governo, que chegou a quase um quarto da população e que remunera as famílias cujas crianças frequentam a escola.
A última edição do relatório da ONU "O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2015", que monitoriza 129 países, estima que caiu para 795 milhões o número de pessoas com fome no mundo, menos 10 milhões de pessoas do que no ano passado e menos 167 milhões do que na década passada.
A situação melhorou nas regiões em desenvolvimento, onde a taxa de subnutrição - que mede a proporção de pessoas que são incapazes de consumir alimentos suficientes para uma vida ativa e saudável - diminuiu para 12,9% da população, contra 23,3% há 25 anos.
Ainda assim, na África Subsariana, 23,2% dos habitantes passam fome e 24 países africanos enfrentam atualmente crises alimentares, o dobro do que em 1990, indica o estudo relatório, publicado hoje pela Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Programa Mundial de Alimentos (PMA).