Brasil. Polícia prende suspeito do assassinato de Dilma da Silva

A Polícia Civil do Pará prendeu esta terça-feira Fernando Ferreira Rosa Filho, de 43 anos, acusado de encomendar o assassinato de Dilma Ferreira da Silva, líder do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), na região de Tucuruí.

RTP /
DR

Na última sexta-feira (22), a Polícia registou um triplo homicídio na região do Baião, a nordeste do Pará. Para além de Dilma da Silva, 48 anos, foram também assassinados o marido, Claudionor Costa da Silva, 42 anos, e Hilton Lopes, 38 anos, amigo do casal.

O assassinato ocorreu na fazenda de Fernando Filho, onde as vítimas foram esfaqueadas até à morte. As investigações começaram logo após o crime e a polícia intensificou as buscas depois de os três corpos terem sido encontrados queimados a 20 quilómetros do local do crime.

A notícia da detenção de Fernando Filho foi comemorada pelo governador do Pará, Helder Barbalho, que divulgou a informação na sua conta do Twitter.

As reações das entidades que atuam na defesa dos direitos humanos, assim como de organismos internacionais, como a ONU, foram imediatas.

O MAB na noite de terça-feira também reagiu às novas informações do caso: “Continuamos a acompanhar as investigações e exigimos a punição de todos os envolvidos”.
“Criminosos perigosos”
A polícia prendeu Fernando Filho, acusado de mandar assassinar Dilma da Silva, e identificou os quatro homens que executaram o triplo homicídio – Glaucimar Francisco, Alan, Marlon e Cosme Francisco Alves. Os quatro homens são apontados como criminosos perigosos e continuam fugidos à polícia.

O líder do grupo é também acusado de crimes como tráfico de drogas, assalto a um banco, tentativa de homicídio, contratação irregular de funcionários para a sua fazenda, entre outros.

A investigação mostrou ainda que Fernando Filho terá encomendado as três mortes porque pretendia ocupar uma parte das terras onde viviam as vítimas e porque construiu uma pista de aterragem clandestina na fazenda, que seria usada para aeronaves de traficantes de drogas.

A investigação está em curso para averiguar os motivos que levaram ao homicídio destas três pessoas. Foi anunciado que continuarão as buscas aos quatro fugitivos.
Caso da hidroelétrica de Tucuruí
A central hidroelétrica de Tucuruí, construída durante a ditadura militar (1964-1985), é a maior do país. Cerca de 32 mil pessoas foram deslocadas das suas casas para a construção da barragem.

Com a abertura da central foram várias as famílias atingidas, incluindo a de Dilma da Silva. A maioria dos atingidos não obteve qualquer tipo de indeminização e há mais de trinta anos que lutam para que seja feita justiça.

Em 2011, Dilma participou no Encontro Nacional das Mulheres Atingidas por Barragens. Na altura, as mulheres do MAB foram recebidas pela presidente Dilma Rousseff.

A líder do MAB foi responsável por entregar à presidente a carta com as reivindicações das pessoas atingidas. Esta carta incluía a criação de uma Política Nacional de Direitos dos Atingidos por Barragens (PNAB) e de mecanismos de proteção da vida das mulheres da classe trabalhadora.
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